Domingo, dia 14 de novembro de 2016, 7:08 horas da matina e está um lindo dia de sol ou não estivéssemos nós no final do chamado verão de São Martinho, reunidas estavam as condições para aproveitar o dia e ir numa peregrinação turística (para uma não crente ir de peregrinação pode parecer estranho, no entanto, adoro caminhar e quando me convidam para caminhar nunca perco a oportunidade para aceitar novos desafios), desta feita, a peregrinação turística seria Ponta Delgada – Vila Franca do Campo, mais propriamente, até ao Monte da Nossa Senhora da Paz ou não fosse este o seu dia. Este monte situa-se no concelho de Vila Franca do Campo, mais concretamente, na freguesia de São Miguel, local onde se encontra edificada a igreja matriz deste mesmo concelho. Vila Franca do Campo foi elevada a Vila em 1472 e durante o primeiro século de povoamento da ilha de São Miguel foi a mais importante povoação, aqui fixou-se o capitão donatário e as principais instituições oficiais, como a Alfândega e a Ouvidoria. Em 1522, devido a um violento terramoto, Vila Franca ficou destruída, mas apesar da sua destruição esta Vila continuou a ter muita importância a nível regional até ao século XVIII.
A caminhada teve início na cidade de Ponta Delgada, freguesia de São Pedro, seguindo rumo a São Roque (Rosto de Cão). Segundo Gaspar Frutuoso em Saudades da Terra, a denominação de Rosto de Cão derivou de um ilhéu que existe nesta freguesia: “Parece este ilhéu um cão, ali assentado com o rabo baixo para a terra, e a ponta dele alta para o mar, que semelha focinho de cão, com os pés ao longo da água, pelo que os antigos lhe chamaram rosto de cão, o qual nome ficou a todo aquele lugar e comarca” e foi aqui no miradouro deste ilhéu que se fez a primeira paragem, lá de cima a vista é deslumbrante. Ainda dentro desta freguesia foram feitas mais duas paragens. Uma na Praia dos Santos e outra no adro da igreja paroquial que tem como padroeiro São Roque. Esta igreja foi edificada, provavelmente no local do templo que a precedeu, a primitiva Ermida de S. Roque. Segundo Gaspar Frutuoso em Saudades da Terra esta terá sido edificada no século XVI, no entanto, não refere quem a fundou. A Igreja atual, na minha opinião, é sem dúvida uma das mais belas da ilha, foi construída em 1560 num singelo estilo barroco. Esta encontra-se situada numa falésia de um cone de escórias sobre mar. No seu interior destaca-se a Capela do Santíssimo pelos azulejos pintados à mão do século XVII.
Dando seguimento à caminhada e ainda no concelho de Ponta Delgada passámos pelas praias situadas na freguesia do Livramento, a Praia das Milícias e a Praia do Pópulo.
A Praia das Milícias é uma das praias mais frequentadas da ilha, talvez por se encontrar muito próxima da cidade de Ponta Delgada e a sua dimensão é, consideravelmente, grande. Esta praia possui bons acessos, balneários e apresenta um areal escuro, aliás todos os areais na ilha de São Miguel são escuros, pois são todos de origem vulcânica. Junto à referida praia ainda é possível ver as ruínas das muralhas e do Forte de São Caetano. Próximo destas ruínas há umas placas nas quais se pode ler numa que a muralha foi “construída por volta dos anos de 1600” e na outra há um resumo muito sucinto acerca da história da construção do forte com a seguinte inscrição: “Mandado construir pelo capitão de ordenanças Sebastião R. do Amaral entre 1662/72. Tinha como missão defender os areais do Rosto do Cão, cruzando os seus fogos com o Forte do Livramento, à esquerda, e o de S. José, à direita (já desaparecidos). Durante a II Guerra Mundial foram construídas no seu interior duas posições de metralhadoras pesadas.”. Uns metros mais à frente a Praia da Pópulo que é bem mais pequena. Esta também tem bons acessos, balneários e areal escuro. De referir que durante o século XVII e o século XVIII, os terrenos envolventes à mesma eram destinados ao cultivo de vinhas, pelo que o acesso não era livre sendo quase de uso exclusivo dos seus proprietários, cujas terras terminavam na orla marítima. Só nos anos 50, do século XX, aquando da construção de uma estrada que tinha como objetivo fazer uma variante à Estrada Regional do Sul e que passava pelos antigos terrenos de vinhas é que se abriu o areal ao uso coletivo.
Às 9:04 horas e 6,91km chegávamos ao fim do concelho de Ponta Delgada e a partir daqui entrámos no segundo capítulo da peregrinação turística iniciando a caminhada no concelho da Lagoa.
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