Sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2017, há que aproveitar as mini férias na ilha do Faial e ir revisitar alguns dos trilhos que mais gostei de fazer. Desta feita foi dia de repetir o trilho Capelo – Capelinhos – Capelo. Este é um trilho circular que começa e acaba no Cabeço* Verde (de referir que este cabeço está relacionado com a formação da ilha do Faial na sua direção Oeste), mas como gosto de andar, o meu trilho começa e acaba no Parque Florestal do Capelo.
A freguesia do Capelo e, segundo pôde apurar, foi desanexada da freguesia da Praia do Norte no início do século XVII, tendo sido então elevada a freguesia. Nos finais desse século, mais propriamente no ano de 1672, esta freguesia foi praticamente destruída pela erupção do Cabeço do Fogo. A toponímia da mesma deve-se ao facto de existir de forma regular nuvens que cobrem o cimo dos montes formando uma espécie de capelo ou, como é vulgarmente chamando nos Açores, de “capuz ou capacete”. Esta localidade tem como ex-libris o vulcão dos Capelinhos e o seu antigo farol.
Assim, pelas 8 horas 45 minutos chegava ao Parque Florestal do Capelo para iniciar a minha caminhada, o dia estava bastante agradável pelo que caminhar ainda se torna mais aprazível. Antes de seguir, verifiquei se levava tudo o que ia precisar na mochila, GPS, agasalho (pois ia para zonas altas e a temperatura sempre difere entre estas e as zonas mais baixas), água (é essencial para estar sempre hidratada), algo para comer (não vão faltar as energias) e, por último, mas não menos importante, a minha máquina fotográfica, pronto tudo em ordem mochila para as costas e toca de andar.
Saí do interior do Parque Florestal caminhando por uma estrada secundária que me levou ao início do caminho do Cabeço Verde. O caminho que leva ao Cabeço Verde é sempre a subir uma vez que este localiza-se a 488m de altitude acima do nível do mar. Este caminho é um misto entre o asfaltado e a terra batida. Chegada ao cimo deste cabeço comecei por o circundar, conforme a direção a vista muda e a Praia do Norte, Cabeço do Fogo, Cabeço dos Trinta, Caldeira, Morro de Castelo Branco e Vulcão dos Capelinhos são algumas das paisagens que se podem apreciar lá do alto. Visto o cimo do Cabeço Verde foi tempo de fazer mais ou menos 750 metros de caminho descendente para continuar o trilho e lá fui eu. Ia na expetativa de rever a Furna Ruim, contudo, tal não se verificou, porque esta continua cheia de conteiras e não se consegue ver o algar* vulcânico, que segundo uma placa existente no local tem 55 metros de profundidade. Pelos vistos esta Furna Ruim irá ser para sempre uma incógnita na minha vida, uma vez que sempre que a visito não consigo ver a dita furna. Mais uma vez as minhas expetativas saíram defraudadas
Prossegui por um caminho estreito de terra batida, numa zona de floresta Laurissilva, aqui podem-se ver plantas como louro, azevinho, uva da serra e urze. Este caminho é descendente e contorna o Caldeirão. Finda a descida atravessei uma estrada de asfalto e comecei a minha subida rumo ao Cabeço do Canto. Este cabeço e segundo uma placa que existe no início da subida é um antigo cone vulcânico monogenético, cuja forma resulta da acumulação dos materiais expelidos durante uma única erupção mais ou menos longa com emissão de escórias vulcânicas e escoadas de lava. A sua formação está relacionada com a elevação do Cabeço Verde e segundo o meu GPS eleva-se a 346 metros de altitude acima do nível do mar. Chegada ao seu cume tive uma vista privilegiada para o vulcão dos Capelinhos e ainda pude ver o interior da cratera que está coberta por cinzas e por plantas como a urze, o pau-branco e a faia. Daqui fiz um misto de trilhos e decidi descer até à zona do Vulcão dos Capelinhos mais 2,35km de descida, mas para quem não conhece, o que não é o meu caso, vale e muito a pena a descida. A primeira paragem no caminho descendente rumo aos Capelinhos foi numa antiga vigia de baleias, que na realidade ainda continua a ser utilizada, mas hoje em dia não é utilizada para o avistamento de baleias com o intuito de caçá-las, mas sim para apenas as localizar para as empresas locais de Whale Wacthing. Deste ponto segui rumo em direção ao Centro Interpretativo dos Capelinhos caminhando através das cinzas vulcânicas.
Aproveitei o local e retemperei as forças para fazer o caminho inverso. Nesta época vive-se, por estes lados, uma paz de espírito, visto que são poucos os visitantes que se encontram na zona e, neste dia em especial não havia viva alma, pelo que posso dizer que fui uma privilegiada e tive os Capelinhos só para mim.
No caminho de volta e chegada ao Cabeço do Canto contornei-o pela esquerda, uma vez que na descida tinha vindo pela direita. A única paragem que fiz foi num miradouro que existe no Caldeirão para apreciar a sua magnitude. Este é uma formação rebaixada com cratera profunda e devido a isto ganhou a designação de Caldeirão segundo o meu GPS este eleva-se a 337 metros de altitude acima do nível do mar. Aqui encontra-se uma placa informativa e pela leitura que fiz depreendi o seguinte: esta formação vulcânica é uma das mais antigas da península do Capelo e está ligada diretamente à formação do vulcão do Cabeço Verde, pelo que percebi é um cone secundário do Cabeço Verde. No interior da cratera existe uma mata intensa de incenso e na zona de rocha nasce uma das flores endémicas mais bonitas dos Açores: a Vidália.
Prossegui o meu caminho até chegar ao caminho de cimento e aqui virei para a direita (porque se virasse à esquerda iria novamente subir até ao Cabeço Verde) para fazer o meu caminho de regresso até ao Parque Florestal do Capelo.
E pelas 12 horas 15 minutos chegava ao local de onde havia iniciado a caminhada, 14km foi a distância percorrida nesta minha caminhada.
Neste trilho passa mais dois trilhos, o 10 Vulcões e o Faial Costa a Costa, pelo que quem assim desejar poderá fazer como eu, uma mistura dos três trilhos.
As zonas altas (Cabeço Verde, Canto e Caldeirão) são muito calmas e relaxadas onde a natureza continua prístina, pelo menos em alguns locais, no entanto, também já se vê aqui e acolá a bendita conteira. Nas zonas baixas passa-se por muita pastagem e algumas zonas de mato de criptoméria. Ao longo de todo o trilho ouvem-se muitos pássaros a chilrear e algumas vacas que pastam e gostam, também, de se fazer ouvir.
Só relembrar que toda esta zona é uma área protegida pelo que quem for fazer o trilho trate bem a natureza, pois esta pertence a todos nós.
*Cabeço: Monte relativamente pequeno e arredondado
*Algar: O termo tem origem árabe Al-gar, corresponde a uma cavidade natural de desenvolvimento predominantemente vertical. Estas cavidades podem ser escavadas pelos movimentos ascendentes e descendentes das águas em locais onde existem flutuações da altura da mesma, ou então, por movimentos de lavas bastante fluídas que se movimentam no interior da terra e que, ao recuarem com alguma rapidez, deixam uma caverna aberta no seu lugar.
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