Lugar da Praia Trinta Reis e Praia da Pedreira em Vila Franca do Campo

Sábado, 14 de janeiro de 2017, dia bastante nublado e a ameaçar chover. Estava na indecisão se devia ou não ir caminhar, no entanto, vontade para esticar as pernas não faltava e quando assim é arrisco sempre no ir caminhar, pois o contacto com a natureza faz-me sempre sentir mais bem-disposta.

Decidir para onde ir é que é bem mais complicado, uma vez que já fiz os trilhos da ilha de São Miguel todos vezes sem conta, obviamente que sempre fica uma canada por explorar ou a vontade de voltar para repetir alguma foto. Assim sendo, decidi voltar ao Lugar da Praia – Trinta Reis (este lugar deve a sua toponímia à ribeira que ali passa, a Ribeira da Praia), em Água d’Alto, como havia chovido nos últimos dias pensei que provavelmente as cascatas estariam com um caudal forte e lá fui eu.

Pelas treze horas e trinta minutos chegava a Água d’Alto, estacionei na Rua Rocha dos Campos e iniciei a minha descida para o Lugar da Praia – Trinta Reis até chegar ao Viradouro, onde reparei que num poste de eletricidade estavam pintadas marcas de trilho oficial. Como neste local anteriormente não existia nenhum trilho oficial e como não tinha ouvido falar que iriam abrir naquela zona um novo trilho, este facto despertou a minha curiosidade. Assim, decidi ver o que este trilho reservava e lá fui eu ver se conseguiria vislumbrar o traçado do futuro traçado oficial, uma vez que esta área é-me bastante familiar.

Segui caminho passando pelo fontanário (inscrição C.M. 1905), porque queria visitar o Núcleo Museológico da Central Hidroelétrica (Fábrica da Praia, 1911 – 1974). Este núcleo foi inaugurado em 1990 e encontrava-se fechado pelo que voltei para trás e comecei a seguir as marcas do trilho oficial com o intuito de tentar perceber qual iria ser o traçado do mesmo. Subi por uma rua cimentada passando por um Triato do Divino Espírito Santo, segui os tubos negros, por onde antes passava a água que fazia funcionar a Fábrica da Praia e gerava a energia, e ao chegar ao cimo da ladeira fiz um desvio à esquerda para fotografar uma cascata ali existente. Posto isto, voltei ao caminho cimentado, que segui até chegar a um de terra batida. Este caminho pela esquerda conduz a mais uma cascata e segundo uma seta do trilho oficial chama-se cascata do segredo, não consigo perceber o nome uma vez que esta cascata é muito procurada na época de verão para banhos por isso de segredo tem pouca coisa pelo que deduzi que deve ser toponímia antiga, mas pronto fui então até à cascata do segredo e aproveitei para desfrutar do silêncio que ali se fazia sentir, uma vez que adoro o silêncio aproveitei para fotografar a cascata se bem que após ver o caudal da mesma logo percebi que as outras cascatas que existiam mais acima iriam estar secas. No entanto decidi prosseguir caminho e desci a ribeira até chegar a uma zona de campos de cultivo, onde a sinalização mandava subir uns metros mais à frente. Quando passei pela zona na qual era suposto existir a ribeira, esta estava completamente seca, continuei pelo meio de uma mata de criptomérias, faias e eucaliptos e cheguei à primeira central hidroelétrica onde uma placa informativa que dizia o seguinte: “Fábrica da Vila (1894 – 1972)”. Parei para explorar o local e tirar umas fotografias, apesar de já o conhecer, assim tive oportunidade de repetir umas fotografias e explorar novos ângulos. Neste ponto subi por umas escadas que me conduziram a uma segunda central hidroelétrica, que também uma placa informativa com a seguinte inscrição: “Fábrica da Cidade (1904 – 1974)”. Esta última também já conhecia, recordo-me muito bem a primeira vez que aqui vim, foi uma aventura inesquecível, ver aquele edifício que, apesar de estar em ruínas, mantinha as máquinas no seu interior como se a qualquer momento pudesse voltar a laboral. Comecei logo a imaginar os dias de azáfama da fábrica, os trabalhadores e o barulho das máquinas. Após este momento contemplativo, prossegui caminho serpenteando por entre criptomérias até chegar a umas escadas que estavam a ser construídas, subindo cheguei aos tanques que antigamente abastecia a Fábrica da Cidade (1904 – 1974). Na atualidade este reservatório serve a Central Mini Hídrica da Ribeira da Praia (construída em 1990 e com início de produção em 1991) e seguindo as levadas cheguei ao caminho dos escuteiros, aí segui para norte para descer para o Lugar da Praia (também poderia ter seguido pelo sul, ambas as direções levam ao Lugar da Praia) e a partir daqui deixei de ver sinalização do trilho oficial pelo que deduzi que o trilho deverá ser linear.

Chegada à Estrada Regional entrei na rua onde iniciei a minha caminhada e já que estava no lado oposto e teria que caminhar dali até ao carro, optei por fazer um desvio até à Praia da Pedreira, quando lá cheguei a maré estava cheia, fazendo com que houvesse pouco areal à vista. Deste local temos vista para o ilhéu de Vila Franca. No caminho para cima fiz uma paragem numa zona onde existe uma vinha para tirar umas fotos. No caminho para o carro passei por num fontanário (inscrição “1878”).

Pelas quinze horas e cinquenta e sete minutos dei por terminada a minha caminhada, 7,72 km foi a distância percorrida, a qual teve como altitude máxima os 247 metros.

O trilho no entretanto já foi inaugurado no dia 21 de março de 2017 chama-se “Quatro fábricas da Luz – São Miguel PR 39 SMI” e as minhas suspeitas confirmaram-se é mesmo linear.

A quem gosta de caminhar resta referir que existe nas imediações uma ligação à Lagoa do Fogo, nunca esquecer que a zona da Lagoa do Fogo é zona protegida pelo que é preciso respeitar a paisagem.

Por último, para quem gosta de fotografar deixo uma dica, a zona onde se encontram as fábricas é escura pelo que para se obterem boas fotos, sem ter de se aumentar o ISO ou abrir muito o obturador e assim perder profundidade de campo, aconselho a que se levem um tripé, até porque podem ter sorte que as cascatas estejam com um bom caudal para fotografarem.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui

 

 


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