Domingo, 23 de abril de 2017, dia bastante ensolarado em Ponta Delgada e devido a um compromisso agendado para o final do dia decidi caminhar pelas redondezas da cidade.
Assim sendo, o meu leque de escolhas ficou bastante mais reduzido. Após uma breve reflexão acerca das opções que tinha ao meu dispor, optei por descer a Rocha do Cascalho que se localiza na zona da freguesia da Relva. Esta caminhada iria ser desenvolvida ao longo de um trilho oficial, que é um dos poucos que nos permite visitar uma das raras fajãs detríticas que existem na ilha de São Miguel.
Por volta das doze horas e cinquenta e oito minutos chegava eu ao miradouro da Relva para iniciar a minha caminhada. Esta que iria ser bastante pequena quando comparada com outras que já realizei, era coisa para esticar as pernas e fazer alguma atividade física, para mexer com o corpo, por assim dizer.
Do miradouro segui caminho até ao início do trilho por uma rua, misto de terra batida e asfalto, ladeada por terrenos de pastagens, nos quais, por vezes, pode-se observar algumas vacas, burros e cavalos.
O trilho tem o seu início junto de um armazém, nesta local há um parque de estacionamento. O caminho que leva à Rocha do Cascalho é cimentado e tem calhau rolado que serve para que os burros e cavalos, que vão até à Rocha da Relva, consigam percorrê-lo sem se ferirem. Nesta zona existe um padrão das Alminhas da Rocha, cuja tradição que remonta ao século XVII, que diz aos caminhantes, que por aqui passem, para rezarem e deixarem uma doação. Prossegui na minha demanda e uns longos metros mais à frente cheguei a uma bifurcação. Seguindo pela direita vai-se para a Rocha da Relva e pela esquerda para Rocha do Cascalho e lá fui eu descer até ao mar desta última.
Ao longo do meu percurso passei por algumas adegas, casa e vinhas. As vinhas encontram-se protegidas da maresia por currais de pedra basáltica. Estas estruturas proporcionam um ambiente ameno para a cultura e diz quem já bebeu que o vinho daquela zona tem um sabor muito característico.
Chegada ao meu destino aproveitei para retemperar as forças e tirar algumas fotografias aos recortes da costa e alguns pormenores das adegas. Nem dei pelo passar do tempo e quando me apercebi já estava na hora de fazer o caminho ascendente e lá fui eu.
Antes de chegar ao miradouro, onde havia deixado o carro, tive ainda oportunidade de fazer uma paragem no Miradouro da Vigia (daqui é nos proporcionada uma vista aérea sobre a Rocha da Relva), uns metros mais à frente do deste miradouro e, como ainda tinha algum tempo livre, decidi, na bifurcação, fazer um desvio à direita e ir até ao centro da freguesia da Relva para dar um saltinho à Fonte da Rocha.
Desci a Rua Vale das Canas, na qual existem muitos terrenos de cultivo e pastagem. No final desta, à direita existe um bebedouro no qual existe um azulejo, pintado com as cores azul e branco, que retrata uma cena do quotidiano que nos demonstra o modo como este local funcionava em tempos idos.
Já no centro da freguesia segui rumo para a Rua de Baixo, pois é nesta que se encontra a descida para a Fonte da Rocha. A descida está assinalada por uma placa informativa, que fica pela direita de quem vai no sentido Relva – Ponta Delgada.
A Fonte da Rocha é uma nascente de água doce que desagua junto ao mar. Neste local é possível ver umas pias datadas dos finais do século XV que são consideradas das mais antigas da ilha, foram mandadas ali construir pelo Contador Martins Vaz de Bulhão.
A descida até às pias faz-se por um caminho de terra batida, com cerca de 800 metros, que vale a pena percorrer porque, para além das pias, temos acesso a um calhau de pedra rolada, que nos proporciona uma vista do recorte da costa da ilha e quem quiser pode dar aproveitar e dar um mergulho.
Mais uma vez perdi a noção do tempo nas fotografias e quando dei por mim tinha mesmo de me fazer à “estrada” se quisesse chegar a horas ao meu compromisso, já de volta à Rua Vale das Canas reparei que numa das casas existe uma Cruz das Alminhas, aproveitei para lá ir espreitar, uma vez que a mesma pareceu-me bastante antiga.
E pelas quinze horas e vinte e quatro minutos dei por terminada a minha caminhada de 7,1km e que teve altitude máxima os 180 metros.
Galeria das fotografias legendadas: Aqui



