Mais um dia a começar no paraíso e mais um dia para ir caminhar! O tempo estava bastante atrativo para as atividades fora de portas e como tive uma semana stressante, estava mesmo a precisar de fazer uma das minhas “caminhadas da pesada”. Desta feita iria tentar chegar às pias antigas e nascentes de Santo António, pelo que me haviam falado o percurso não era extenso, mas precisava de ser desbravado (bom digamos era mais ser “descanado” destas benditas canas invasoras). Enfim, nada que me fizesse desistir, pelo que lá fui eu rumo à freguesia de Santo António. De acordo com uma lenda, esta freguesia chamava-se Rosário, mas em tempos idos deu à costa, na zona balnear do Rosário, uma imagem de Santo António e desde então passou a chamar-se freguesia de Santo António.
Chegada a Santo António comecei por descer a Rua da Fonte Grande que leva a um parque de merendas. Este parque é pequeno, no entanto, tem uma vista fantástica sobre toda a costa nordeste da ilha de São Miguel. Comecei por explorar o local e lá encontrei a pias antigas que foram recuperadas em 2004 e pensei para mim: “Querem ver que fiz todo este percurso para fazer uma caminhada de apenas 10 minutos?”. Isto porque não estava a ver mais nenhum caminho que me pudesse levar às nascentes, contudo, continuei a explorar a zona, uma vez que estava determinada em encontrar as tais nascentes. Não foi preciso andar muito para notar que do lado oposto às pias havia mais uma via de pé posto que parecia descer para uma zona de calhau rolado e como não posso ver caminhos que tenho de ir ver onde acabam lá fui eu encosta a baixo na companhia da minha catana, caso fosse necessário desbravar alguma parte do percurso. Na descida passei por vários reservatórios de água e por uma levada. A via por mim percorrida termina junto ao mar e neste local é possível observar o que resta de uma antiga central hidroelétrica.
Nesta zona, uma vez mais questionei-me se haveria mais percurso a realizar ou se teria de voltar para a zona do parque de merendas, no entanto, como eu queria acreditar que haveria mais trilho para explorar, visto que não tinha encontrado as tais Nascentes da Rocha optei por consultar o meu GPS para confirmar no mapa quais seriam as minhas opções. O GPS indicava, tal como suspeitava, que havia caminho, mas pelo que pude observar à minha volta era necessário desbravá-lo, uma vez que as canas já haviam tomado conta de todo o espaço. Assim, lá principiei a empreitada de cortar as canas com o intuito de chegar às ditas Nascentes da Rocha. Uns quantos metros mais à frente e seguindo a minha intuição e o som da água consegui chegar às Nascentes da Rocha. O meu objetivo tinha sido alcançado, agora era tempo de fazer uma paragem para fotografar, descansar, observar o espaço e avaliar as minhas opções em relação ao trajeto. O GPS mostrava que havia caminho até chegar à povoação e como não estava com grande vontade de voltar para trás decidi seguir em frente. O percurso por mim realizado levou-me a uma zona rochosa junto ao mar, local no qual tinha havido uma derrocada. Aqui parei para pensar se deveria arriscar transpor ou não a derrocada. Enquanto decidia o que fazer aproveitei para tirar umas fotos, pois em alturas de indecisão não vale a pena stressar o melhor a fazer é parar, relaxar e refletir. A vista deste local era fantástica, conseguia-se ver a costa norte da ilha, em especial a Vila de Capelas. Enquanto fotografava observei e analisei bem a derrocada para avaliar se era possível ou não subir e transpor a mesma. Apesar dos riscos inerentes decidi arriscar, porque a opção de voltar para trás era a última a ser considerada, uma vez que só o faço em situações de perigo, nas quais posso correr perigo de vida, mas este não era o caso. Transposta que estava a derrocada, andei mais uns metros e deparei-me com uma subida nada suave, era subida bastante íngreme e neste momento pensei “Não há de ser nada. Já andei todo este caminho não será agora na subida que irei desistir, pois não?”. Mentalizei-me, marquei o meu ritmo, para não ter que parar a meio, e lá fui eu. A subida era bastante a pique e encontrava-se, em alguns locais, quase intransponível, uma vez que alguns fetos já tinham ocupado a via, pelo que foi preciso abrir caminho. Já na povoação e uma vez que há muitos anos não ia ao portinho de pescas de Santo António decidi ir visitá-lo, pois precisava esticar as pernas da dita subida e assim foi, andei uns quantos metros na estrada de asfalto e depois entrei num caminho de pé posto que me levou ao portinho. Aqui encontrei uma equipa de futebol júnior, encontravam-se na ilha para disputar o Priolo Cup.
No caminho de regresso optei por não realizar o mesmo percurso e vim pela zona das piscinas naturais do Rosário (área que não é vigiada). Subi até ao parque de merendas, passei pela Ermida de Nossa Senhora do Rosário e pelo cemitério e daqui rumei até ao centro da freguesia de Santo António para assim poder alcançar o meu ponto de partida. Decidi este trajeto pelo centro da freguesia porque, por um lado, tornava o meu itinerário circular e, por outro lado, tinha hipóteses de observar as pessoas na sua vida quotidiana, algo que gosto de fazer, e podia ser que me deparasse com uma alma viva que gostasse de dar dois dedos de conversa, desfrutando, assim, de uma oportunidade de aprender algo de novo.
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