O outono chegou a São Miguel e com ele também chegou a passagem das tempestades tropicais, a última acabou por evoluir para furacão de nível três, a Ophelia, e apesar do alarido todo que suscitou não passou de um típico dia de inverno na ilha.
Com a época das chuvas, chega também a época da fotografia de cascata, uma vez que na ilha existem muitas ribeiras. Assim, aproveitando o chamado verão de São Martinho decidi ir praticar o meu desporto favorito típico do outono/inverno, ou seja, subir ribeiras a ver se a chuva, que se tinha feito sentir na ilha, já tinha enchido as ribeiras para que houvesse caudal suficiente para fotografar cascatas. Para abrir oficialmente a época da fotografia de cascatas, que tanto me apraz, decidi optar por uma ribeira que nunca tinha subido, a Ribeira da Salga.
Eu pessoalmente tenho uma paixão muito grande pela exploração do desconhecido e poder subir ribeiras (sem recorrer ao uso de cordas) para ir fotografar as suas cascatas é para mim um grande desafio e aventura, pelo menos este sentimento dá-se nas ribeiras que nunca subi como foi o caso da escolhida, a Ribeira da Salga. Esta ribeira passa por dois concelhos da ilha de São Miguel, uma vez que tem a sua nascente na freguesia que lhe dá o nome, Salga a qual pertence ao concelho Nordeste e a sua foz na Lomba de São Pedro que é a última freguesia do concelho da Ribeira Grande.
Como devem calcular, não existem trilhos oficiais para a subida ribeiras, o que faço é encontrar um local no leito da ribeira através do qual consiga ter acesso à mesma, entro e começo a subir até que encontre uma cascata bem alta ou algum obstáculo que me impeça de continuar a caminhar. Quando encontro algum obstáculo que não consiga transpor sem ter que recorrer a cordas (porque não levo cordas comigo) faço sempre uma pausa para que possa avaliar o meio ambiente em redor, de modo a tentar perceber se há algum local onde possa subir e continuar a caminhar em terra, ou se terei de voltar ao ponto inicial e tentar encontrar outro sítio onde possa aceder novamente à ribeira.
Antes de iniciar a subida propriamente dita da ribeira fui a uma primeira cascata que já conhecia e só depois no caminho de volta é que começaram as aventuras e o molha pés (sim, porque para se chegar a esta primeira cascata não é preciso molhar os pés). Lá segui caminho tal qual o famoso arqueólogo dos filmes Indiana Jones, sem saber o que me esperava, mas esperançada que haveria, tal qual o meu herói do cinema, de alcançar os meus objetivos. O resultado final desta primeira subida, a qual ainda não ficou concluída, foi a descoberta de mais duas cascatas.
Conto voltar em breve a esta ribeira para concluir a sua subida. Até lá só posso deixar a imaginação fluir com as possíveis cascatas que possivelmente poderei encontrar para fotografar.
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