Pico da Amêndoa

Ponta Delgada, 31 de dezembro de 2020.

Último dia deste que foi um ano tão atípico e ao mesmo tempo desafiante em todos os sentido e que no qual esperemos que a humanidade finalmente tenha aprendido que para se ser feliz é preciso muito pouco e que a maior riqueza que se pode ter é a saúde. Uma vez mais a mãe natureza mostrou-nos que tem os seus meios de reclamar para si o que é seu.

O dia acordou sorridente, o sol brilhava convidando a atividades fora de portas, nem parecia estarmos em pleno inverno, pelo que decidi aproveitar para ir esticar as pernas. Sai de casa decidida a ir até à Serra Devassa, uma vez que não estava com disposição para fazer grandes viagens, mas sempre que subo a esta serra existe uma pequena elevação que me capta o olhar e como nestes últimos tempos tenho andado com o bichinho de subir os vários picos e montes da ilha de São Miguel, só para ver se a vista é bonita, disse para mim: “- Não é tarde, nem cedo para ir subir aquele pico!” e assim foi. De tanto subir picos e montes começo a parecer uma montanheira quase profissional com a diferença que os meus picos e montes são de baixas altitudes e não requerem técnica.

Como não tinha feito estudo prévio para subir aquela pequena elevação decidi estacionar o carro na zona do merendário do Charquinho da Moça e daí orientar-me para atacar a elevação, porque desde o merendário até ao local onde fica a elevação a distância a percorrer não parecia ser muita e, assim foi, sai do carro e desci rumo ao centro da freguesia da Covoada, mas antes de chegar ao centro da referida freguesia virei para o Caminho do Charquim e segui este caminho até encontrar um entroncamento, no qual virei à direita rumando até ao Caminho do Pico da Amêndoa. A elevação fica neste caminho, é de alertar que este pico é propriedade privada e na sua base existe um viteleiro.

Já durante a descida, encontrei o dono, que é um senhor muito simpático, com quem troquei meia dúzia de palavras. Foi o próprio que me confirmou que aquele era o Pico da Amêndoa, tendo ganho o seu nome devido ao formato peculiar que apresenta e, realmente, se olharmos com atenção para esta elevação consegue-se imaginar a forma de uma amêndoa. Ainda durante a nossa conversa tive tempo de confidenciar que tenho um grande pavor de gado bovino, no entanto, não deixo que o meu medo me domine durante as caminhadas. O senhor riu-se e disse que realmente tendo medo de vacas e ter que passar por elas só sendo mesmo corajosa e não se deixar afetar pelo mesmo.

Do cimo do pico temos uma vista soberba para a costa sul, incluindo o planalto central da ilha e a bacia leiteira dos Arrifes, com todos os seus cones vulcânicos que ajudaram a formar a zona central da ilha.  Sendo de destacar a bonita e desafiadora Serra Gorda. Neste local, é também possível observar a zona do Pico do Carvão. O pico tem duas pequenas depressões de formato circular, que parecem fazer retenção das águas da chuva, servindo de bebedouros aos animais que pastam nesta zona, mas devido à fraca precipitação que se tem feito sentir nos últimos tempos ambas estavam secos.

Este pico eleva-se a 394 metros acima do nível do mar e no cimo tem um geodésico com a seguinte inscrição: “IGG 1953”. Finda que estava a subida, faltou apenas deixar a bandeira a demonstrar que o referido pico já havia sido conquistado pela minha pessoa, no entanto, é de referir que atualmente já não há necessidades deste tipo de demonstrações. Assim sendo, de forma simbólica e mentalmente espetei a bandeira no cimo da elevação conquistada e segui caminho já a pensar no próximo pico que irei subir.

E assim foi esta a minha última caminhada de 2020, que venha 2021 e com ele traga muitas mais caminhadas!

Texto e fotografias: Sandra Botelho

Galeria de fotos: Aqui


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