Mata dos Bispos

Situado entre vales e sete lombas descobrimos um dos concelhos mais belos da ilha de São Miguel, o concelho da Povoação. Foi neste concelho que desembarcaram pela primeira vez Gonçalo Velho Cabral e os seus tripulantes, em 1432, para desbravar a ilha e mais tarde povoá-la (1440). A viagem é longa, mas vale muito a pena! A Peregrinação Turística não se deixou intimidar pela viagem uma vez que a grande variedade de belezas naturais que aqui se pode encontrar compensa a deslocação. Assim, a caminhada foi realizada numa pequena floresta Laurissilva ou floresta natural que se localiza na freguesia da Nossa Senhora dos Remédios, que é constituída pelas Lombas do Loução e Alcaide e que foi elevada a esta condição em 1957. O topónimo de “Loução”, atribuído à Lomba, teve a sua origem no nome de um João de Loução, personalidade dos meados do século XVI, que, ao que tudo indica, construiu numa entrada da bacia da Povoação uma caravela. Por sua vez, o nome da outra Lomba, indica o lugar onde tiveram assento os Ferreiras de Azevedo, que foram Alcaides da Povoação, no século XVII. Esta mata é uma floresta Laurissilva de baixa altitude que tem o nome de Mata dos Bispos, que vem sendo recuperada desde o ano de 2012, uma vez que a mesma até àquela data encontrava-se com um elevado nível de invasão biológica, sendo que, praticamente, 100% das espécies presentes eram espécies exóticas invasoras, designadamente, a Acácia (Acacia melanoxylon) e a Conteira (Hedychium gardnerianum). No lugar das plantas invasoras foram plantadas várias espécies endémicas, como é o caso do azevinho (Ilex azorica), do pau-branco (Picconia azorica), do louro (Laurus azorica), da ginja-do-mato (Prunus azorica), da urze (Erica azorica), do patalugo (Leontondon rigens), entre outras. Juntamente com a recuperação da floresta, também foi feita uma intervenção para controlo da erosão e melhorar o processo de recuperação hídrica dos cursos de água existentes no local, construindo-se estruturas biofísicas, as quais ainda são visíveis a quem decida entranhar-se pela mata. De referir que todo este processo de recuperação ecológica também vai permitir a recuperação de uma área de alimentação para o Priolo, uma ave de pequeno porte que só pode ser observada nesta zona da ilha de São Miguel.

Assim, embrenhei-me mata adentro absorvendo o “silêncio” que reinava no ar, só sons da natureza me eram permitidos entrar nos tímpanos. Os olhos, estes deliciados pelo verde e pelo azul. O caminho começou numa zona de mata composta por criptomérias e conforme avançava a vegetação foi mudando para plantas endémicas e ao contrário do que se vê noutras matas, nesta, e devido às boas práticas levadas a cabo pelas sucessivas intervenções, pouco ou nada se vê de plantas invasoras, alegria para quem é apreciador da natureza pura.

Saindo da mata o meu caminho prosseguiu para uma zona que é considerada emblemática da referida freguesia a Alameda dos Plátanos, um caminho de terra batida, em cascalho vermelho, ladeado, em toda a sua extensão de quase três quilómetros, por 602 imponentes plátanos e por tapumes de coloridas hortênsias, que liga a Lomba do Alcaide à Lomba do Loução. Da Alameda dos Plátanos ainda houve tempo e energia para fazer um desvio ao Miradouro Pico dos Bodes que tem uma vista impressionante de 360º, que vai desde o Faial da Terra até a Vila Franca do Campo e em dias cuja visibilidade seja boa é possível avistas a nossa vizinha ilha de Santa Maria. Existe neste local uma estrutura que noutros tempos servia de posto de vigia de baleias, existindo também um geodésico, no qual se pode ler a seguinte inscrição: “IGC 1954”.

A Povoação devido à sua pacatez e quietude deixa sempre saudades pelo que a vontade para voltar, apesar da longura, é sempre muita.

Nota: Esta mata é uma Área protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies. Sendo que a sua área total de ocupação combinada entre a Mata dos Bispos e o Labaçal é de 314,2ha.

Fotografias: Aqui


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