A chegada a Split foi ao bom estilo imperador romano, mas de uma forma mais modernizada, claro está! A aclamar a minha chegada, ou não tivesse eu chegado à segunda maior cidade da Croácia, ficando atrás só da capital Zagreb, na hora de ponta, com carros e mais carros.
Split é a cidade mais importante e a maior da região da Dalmácia (engloba os territórios da Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro). Sendo o centro administrativo do Condado de Split-Dalmácia. Esta cidade situa-se numa pequena península da margem oriental do Mar Adriático na base dos montes Kozjak e Mosor. Sendo conhecida pelas suas praias e pelo Palácio Diocleciano (Dioklecijanova palača em croata).
Após estar instalada decidi dar uma volta pelo quarteirão para explorar a zona e ao virar da esquina tive um dejá vu “já estive neste local, tenho a certeza que já aqui estive!”, mas de onde poderia eu conhecer este palácio se nunca estive em Split? Perguntava-me. Dei voltas e mais voltas na cabeça e lembrei-me que havia lido as crónicas do blog de viagem o “Viajário Ilustrado” e concluí que a primeira vez que aqui tinha estado tinha sido através duma viagem no meu imaginário e só posso dizer que quem entra no Palácio Diocleciano é como se estivesse a entrar na época da civilização romana, ou não fosse este um dos monumentos mais bem preservados da arquitetura romana, que em novembro de 1979 foi declarado pela UNESCO Património Histórico da Humanidade.

Diocleciano (245d.C.-313d.C) foi um imperador romano que nasceu na cidade croata de Salona. Enquanto imperador fez muitas reformas políticas, militares, jurídicas e económicas. No entanto, o seu nome ficou conhecido para a história pela mais sangrenta perseguição que fez aos cristãos. Contudo, quis o destino que o seu mausoléu, na atualidade, fosse transformado numa catedral católica. Este imperador governou o império romano durante 20 anos, ao fim deste tempo retirou-se da vida pública e mudou-se para o palácio que havia mandado construir em 305 d.C.. Este palácio não é mais do que uma fortaleza muralhada de forma retangular situada à beira-mar. No seu interior existia os aposentos do imperador, uma zona para os militares e uma cidade típica romana. A entrada para este palácio fazia-se por quatro portões (Portão do Ouro (norte), Portão de Prata (leste), Portão de Ferro (oeste) e o Portão de Bronze (sul)) que ligavam as duas ruas principais, cardo e decumanus, na interseção destas duas ruas fica o Peristilo (fórum), o qual tinha uma função cerimonial, pois era aqui que os cidadãos se encontravam e onde o imperador se dirigia ao povo, que se tinha de ajoelhar perante a sua presença. Este local é rodeado por escadas, colunas de estilo coríntio, algumas de granito vermelho vindo do Egito e outras de mármore branco e arcos. Na colunata é possível ver uma esfinge com mais de 3500 anos do reinado de Tutmés III que o próprio Diocleciano trouxe do Egito. A Catedral (antigo mausoléu), consagrada a São Dómnio (em croata Sveti Duje, foi um bispo de Salona martirizado durante a perseguição de Diocleciano aos cristãos), localiza-se nas imediações do Peristilo. Esta catedral é uma das mais pequenas de toda a Europa, mas é a mais antiga em uso contínuo, destaca-se pela sua forma octogonal suportando uma cúpula e é rodeada por 24 colunas de estilo coríntio. Sob o edifício existe uma cripta que agora é uma capela consagrada a Santa Lúcia. A entrada para a catedral faz-se por uma porta de madeira de carvalho que contém catorze cenas dos Evangelhos, que vão desde a Anunciação de São Gabriel, até a Ressurreição de Cristo, que foi esculpida em 1214 por Andrija Buvina, uma artista de Split.

Na vizinhança o templo dedicado a Júpiter, que atualmente, é o Batistério de São João. Este costumava ficar de frente para o mausoléu de Diocleciano, mas nos nossos dias encontra-se “espremido” entre as casas vizinhas. Em frente a este templo existe uma segunda esfinge que foi decapitada quando os cristãos tomaram o palácio como símbolo de vingança. Uma curiosidade, este templo fica na rua mais estreita do palácio. Ainda se pode encontrar neste espaço as adegas do palácio que são mundialmente famosas graças à série Guerra dos Tronos, uma vez que foi aqui que foram filmadas as cenas das catacumbas, nas quais Daenerus trancava os seus dragões. De referir que nunca vi a série, pelo que quando li o que havia sido aqui filmado fiquei na mesma apreciando o espaço como sendo uma adega.

Passeando pelas ruas do palácio encontrei um largo (Praça do Povo) onde é possível ver uma torre com um relógio muito peculiar, porque tem 24 dígitos em vez dos habituais 12.
Saindo do palácio passa-se pelo Prazar ou mercado em português e chega-se ao Riva, um passeio que fica à beira-mar e caminhando para a esquerda acabamos por entrar numa zona mais cosmopolita da cidade com blocos de apartamentos, onde conseguimos facilmente reconhecer o mundo atual. Split, é uma cidade em que o contemporâneo e a antiguidade convivem em perfeita simbiose.
Galeria das fotografias legendadas: Aqui