Portal da Catedral de São Lourenço em Trogir

Viajar sem ter feito pesquisas ou leituras prévias para o local que escolhi visitar mostrou ter coisas boas, uma vez que chegava aos sítios e era sempre surpreendida com tudo que via e encontrava pelo caminho, levando a que quando regressei a casa quisesse aprofundar os meus conhecimentos sobre as coisas que vi. Um dos pequenos grandes pormenores que me deslumbrou nesta minha passagem pela Croácia foi o portal principal da Catedral de Trogir. Não estava mesmo nada à espera de encontrar tamanha obra de arte na “pequenina” cidade de Trogir, que para além de conservar a sua traça medieval é uma caixinha cheia de agradáveis surpresas.

Catedral de São Lourenço em Trogir

Este portal foi esculpido, no século XIII, no estilo românico, em pedra típica desta cidade e em mármore escuro. A autoria deste portal é atribuída ao Mestre Radovan, mas estudos feitos ao mesmo também confirmam que existem evidências que provam que outros artistas trabalharam no portal, isto apesar de se continuar a outorgar a Radovan a maior parte do trabalho realizado no referido monumento (a obra de Radovan segundo alguns historiadores é fácil de distinguir, uma vez que está inserida na arte regional da Dalmácia, a qual sofreu influência da arte veneziana, que combinava os vários centros italianos da arte romana da Apúlia e da Lombardia e também sofreu influência do meio francês da escultura de Antelami, que influenciou diretamente o estilo da escultura de Radovan). Segundo alguns historiadores de arte, ali trabalharam alunos deste mestre e outros mestres escultores que fizeram acrescentos ao portal e, consequentemente, alteraram a forma inicial do monumento. Alguns destes acrescentos, na opinião destes estudiosos, foram realizados juntamente com as obras efetuadas na catedral. A maior intervenção, que vai redefinir por completo o portal de Radovan, ocorreu durante o século XIV, a referida obra alterou o vestíbulo da catedral, tendo sido construído um átrio espaçoso de três vias e sobre este foi projetada a construção de duas torres sineiras. As esculturas no portal são agrupadas em um todo único, que é moldado por um frontão suportado por um grupo de colunas. Em 1460, o portal é reorganizado pela última vez, recebendo capitéis renascentistas com esculturas de meninos nus, gordinhos e com asas comummente chamados de putti, que foram inseridos sob a trave. Estes capitéis são obra de Niccolò Fiorentino. No final do século XVII, a estátua gótica de São Lourenço, que havia sido retirada da antiga capela demolida de São João de Trogir, é inserida no frontão do portal num nicho barroco.

A verdade é que após tanta obra de reorganização que o portal sofreu a maior parte dos nomes dos artistas que neste local laboraram acabou por se perder. Também não se sabe ao certo o número de artistas que aqui trabalharam, há historiadores que defendem que foram, 4 outros dizem ter sido 7. Efetivamente sabe-se o nome do mestre Radovan, porque foi o único que assinou e datou o seu trabalho numa faixa junto ao rodapé do tímpano, no qual se pode ler a seguinte inscrição: “+fundatur ualue postpartum uirginis alme per raduanum cunctis hac arte praeclarum ut patet ex ipsis sculpturis et ex anagliphis anno milleno duceno bisque uiceno presule tuscano floris ex urbe treguano”, o que traduzindo diz qualquer coisa assim: “o portão foi construído em ano 1240 após o nascimento do virgem gloriosa por radovan, o melhor nesta arte, como pode ser visto desde as próprias esculturas e relevos, para o bispo treguanus o toscano da cidade das flores”.

Portal

Deixemos por ora esta parte da história um pouco de lado, apesar de ser muito estimulante saber os factos que originaram a aparência atual deste monumento, também é interessante conhecer o portal em si. Assim, é preciso referir que este não fica em nada atrás dos portais de estilo românico dos grandes centros europeus da sua época. Ele é considerado pelos historiadores a melhor e mais original síntese da arte medieval da Dalmácia. Os mesmos afirmam que todas as cenas representadas nesta edificação são citações pertencentes ao Novo Testamento e que este é o único dos portais das catedrais românicas europeias desta época cujo tema central do tímpano é a natividade. No tímpano, obra de Radovan, é usado o esquema iconográfico sírio-bizantino (este esquema de dramatização dos Evangelhos era uma forma de evangelizar os crentes), que retrata a Natividade dividida em duas partes básicas.

Na parte superior vê-se a Virgem Maria deitada num celeiro numa cama de madeira com as pernas viradas, a recuperar do parto, ao lado dela há uma inscrição espelho em grego ΥΘ ΡΜ, que diz ΜΡ ΘΥ (Μητηρ θεου, em português Mãe de Deus) (segundo alguns historiadores Radovan não sabia grego pelo que deve ter transcrevido de um modelo escrito sem compreender), com Jesus adormecido ao seu lado num berço embrulhado num faixa e com a cabeça apoiada numa almofada. Esta cena é elucidada pela inscrição: institis involuit virgo qui crimina solvit (A Virgem envolve aquele que redime do pecado). Na parte inferior do relevo, retrata José sentado num banco e apoiado num cajado, ao lado de um pastor que tira o seu chapéu com a mão esquerda, por cima deles a inscrição: PASTOR E JOSEPH. Ao lado deles, o Banho do Menino Jesus por duas mulheres (que segundo os historiadores são: Zelomi e Salomé conforme escrito no evangelho apócrifo de São Mateus). Sobre esta cena existe uma inscrição: vergitur in co (n) ca qui diluit scel (er) a cuncta (Aquele que lava todos os males do mundo está imerso na bacia). Acima da cena da Natividade, está a Estrela de Belém ladeada por anjos, o anjo da direita aponta para a estrela, olhando para os Três Reis indicando o caminho para o Menino. O da esquerda, é o anjo que diz aos pastores para não terem medo, pois traz uma boa notícia que vai causar grande alegria a todo o povo.

Neste tímpano é percetível a liberdade que Radovan teve para interpretar estas cenas bíblicas. Toda a cena tem movimento, percebe-se que a Virgem Maria está a cobrir carinhosamente o Menino com um cobertor, o pastor, sentado ao lado de José, está a tirar o seu chapéu. Na cena dos pastores que estão fora do celeiro, vê-se uma ovelha que está a amamentar o seu filho, o cão que está deitado ao lado de seu dono está virando a cabeça, há duas cabras que brigam e um dos pastores cumprimenta o outro, tirando o seu chapéu.

Após o tímpano e antes de se chegar ao primeiro arco interior com relevos passa-se por três arcos, dois de mármore escuro e um de pedra branca, este último é canelado. No arco concêntrico interior Radovan cinzelou, à semelhança do tímpano, cenas pertencentes ao Novo Testamento. É possível observar-se do lado esquerdo do arco, na parte inferior, o mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, com longos cabelos entrançados, trazendo na mão uma bengala que contém a mensagem que desceu do céu para anunciar o nascimento de Jesus à Virgem Maria. Apesar de estar representado sozinho, uma vez que Maria encontra-se no lado oposto do arco, a cena está cheia de movimento, o vestido do anjo está esvoaçante, este dá um passo em direção a Maria e, segundo o Evangelho, saúda-a com as seguintes palavras: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!”. (Lc 1, 28). Por sua vez, o relevo de Maria como já foi referido encontra-se na mesma direção da do anjo, mas no lado oposto do arco. Ela é retratada com um fuso na mão fiando lã e em pé. Ao seu lado há um trono tipicamente bizantino e sobre este uma almofada. Deste trono saem colunas delgadas que suportam uma cúpula em forma de cibório. “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra! ”. (Lc 1, 38).

No topo do arco, a adoração dos Reis Magos, na qual se vê Maria coroada sentada num trono com Jesus Cristo ao colo e José em pé atrás do trono agarrado ao seu cajado, em frente ao trono os três Reis Magos que se curvam em sinal de reverência ao Menino. Do lado direito desta cena, o sonho de José onde se vê o mesmo deitado com o seu cajado na mão, coberto com os pés de fora, as pernas inclinadas e com a cabeça apoiada num travesseiro. O anjo enviado pelo Senhor está ajoelhado e reclinado com uma mão apoiada sobre o ombro deste e parece que lhe fala ao ouvido dizendo-lhe: “José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa, porque o que nela foi gerado vem do Espírito Santo; Ela dará à luz um filho e tu lhe porás o nome de Jesus; pois ele vai salvará o teu povo dos seus pecados. (Mateus 1,20).

Entre as cenas do Anjo Gabriel, a adoração do Menino e do sonho de José e da Virgem Maria há grupos de anjos esculpidos e direcionados para os eventos representados no tímpano.

Para se chegar ao último arco concêntrico passa-se por um arco de mármore escuro. Os relevos esculpidos neste e segundo os historiadores de arte não são obra de Radovan, são obra de dois escultores que foram os responsáveis pela atual aparência do portal, um é conhecido como o Mestre do Lava Pés e o outro como o Mestre da Crucificação. Neste arco, os relevos são dedicados a cenas sobre a vida de Jesus Cristo, algumas das quais estão mencionadas no evangelho de São Mateus. Assim, na primeira cena na base do arco do lado esquerdo vê-se a fuga para o Egito. Aqui vemos Maria com o Menino ao colo, montando um burro que é conduzido por José. Por cima deles está um anjo voando que está segurando o cajado de José e apontando o caminho certo com o dedo. Maria e o Menino estão envoltos numa manta e José tem um chapéu na cabeça. Estes elementos mostram, por um lado, que a noite estava fria e, por outro, a sua etnia. Na sequência temos uma cena cheia de movimento, a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Aqui a cidade de Jerusalém não é retratada. Veem-se pessoas a cortarem ramos de oliveira com machados para atirá-los aos pés do jumento, no qual Jesus Cristo está montado. De seguida, temos a cena do lava-pés composta por doze figuras. Os apóstolos que estão à mesa numa discussão animada e, ao lado da mesa, vê-se João com um pé dentro duma vasilha e Jesus a beijar-lhe o outro pé (João é o apóstolo que Jesus mais amava). Depois estão as cenas da prisão e flagelação de Cristo. Na primeira são visíveis três soldados com capacetes e trajes nacionais judaicos. Os dois primeiros soldados têm as espadas na bainha e o último tem a sua em punho. À frente, vai Jesus agarrado por um soldado. Na segunda, ao centro, vê-se uma coluna, na qual Ele está a ser amarrado por um soldado e a ser flagelado por outro. Os dois militares, à semelhança da cena anterior, também estão vestidos com capacetes e trajes nacionais judaicos. O motivo central deste arco é a crucificação do filho de Maria. Nesta cena podemos ver Cristo na cruz, esta é representada como uma Cruz Viva (de acordo com uma lenda medieval da árvore da vida (arbor vitae), aquela cujo Adão provou a maçã por sugestão de Eva). Jesus tem a cabeça inclinada para a esquerda com a coroa de espinhos, as pernas cruzadas e pregadas com um único prego. Sob a cruz temos Maria à esquerda, João à direita e em baixo da cruz há duas pessoas ajoelhadas de mãos postas a rezar. Do lado direito da cena da crucificação temos a ressurreição. Aqui vemos Jesus de pé sobre o sarcófago e por cima d’ Ele um anjo numa nuvem com um turíbulo (incensário) na mão. Por detrás de Cristo, três soldados com fardas medievais típicas de Trogir. Seguidamente, temos a cena onde Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, com umas vasilhas na mão no sepulcro testemunham a ressurreição de Cristo, o Salvador. Segue-se a esta cena a Tentação a Jesus no deserto, aqui vemos duas figuras demoníacas grotescas que simbolizam a tentação. O primeiro representa a primeira tentação quando o diabo oferece pedras a Jesus e desafia-o para que as transforme em pão e o segundo representa a última tentação quando o diabo diz a Jesus que todos os reinos do mundo podem ser dele se ele se render a ele. Em frente às figuras grotescas está Cristo em cima de uma montanha com um cajado na mão. A completar o ciclo da vida do filho de Maria, no arco exterior, na base do lado direito, o batismo de Jesus no rio Jordão. Aqui podemos observar um anjo que segura o manto de João Baptista, que tem uma mão sobre a cabeça de Jesus, cujo corpo se encontra metade imerso no rio, por cima desta cena há um anjo com um turíbulo (incensário) na mão.

Pormenor do tímpano da Natividade

Nos batentes do portal que suportam o frontão gótico vê-se sobre umas mísulas leões. O da direita tem a pata sobre um dragão, o da esquerda é uma leoa tem a pata sobre um cordeiro e duas crias que dormem em baixo dela. Sobre os leões à direita temos Adão e à esquerda Eva, ambos estão nus. Estas figuras representam o pecado original e as cenas da encarnação e da paixão que falam sobre a redenção do Homem. Em cima da cabeça do Adão e Eva um capitel decorado com elementos vegetalistas.

Na primeira pilastra, que fica no enfiamento do arco exterior, temos o ciclo dos apóstolos que foi esculpido por um sucessor de Radovan. Assim, vemos três apóstolos do lado esquerdo do portal e três do lado direito com as respetivas auréolas, inseridos numa cartela emoldurada por uma videira onde se vê as parras e as uvas. Até à presente data só dois dos seis apóstolos foram identificados, são eles: Pedro, porque tem a chave das portas do céu na mão e Bartolomeu porque tem a pele no braço, estes dois apóstolos estão colocados do lado esquerdo do portal. Suspeita-se que o terceiro apóstolo, do lado esquerdo, possa ser João, mas para já esta teoria não está comprovada. A face lateral desta pilastra está decorada com animais que estão interligados entre si por uma gavinha com uvas e parra. Na face lateral da pilastra, do lado esquerdo, na base há um grifo que ataca um javali e por cima dele veem-se animais da floresta e savana, tais como, um urso, um elefante, um dromedário. Na face lateral da pilastra, do lado direito, na base há um grifo que come uma folha da videira e por cima dele veem-se criaturas místicas, como uma sereia, um centauro, entre outras. Estas pilastras são coroadas por um capitel decorado com elementos vegetalistas.

Entre a primeira e segunda pilastra há uma coluna de mármore escuro, tendo no cimo um capitel decorado com elementos vegetalistas. Na segunda pilastra, que fica no enfiamento do arco interno, temos o ciclo dos meses que foi esculpido por Radovan, com exceção do mês de fevereiro cuja autoria é atribuída a outro escultor. Durante muitos anos este ciclo de meses foi o maior mistério por resolver deste portal. Nas cenas que representam os meses e segundo quem decifrou o mistério, há sempre um o símbolo que representa o signo do zodíaco associado a esse mesmo mês, uma cartela com o nome do mesmo escrito a cores e os trabalhos de campo característicos de cada um deles.

 Aqui estão representados 5 meses, são eles: dezembro, janeiro, fevereiro, março e abril.

No lado esquerdo do portal, no topo da pilastra, está a moldura que representa o mês de dezembro. Nesta cena está representada a matança do porco, atividade típica dos meses de inverno, sendo mesmo a favorita visto que depois da matança do porco vinham as festas. Vemos um camponês montando um porco encenando um movimento de quem balança algum instrumento para matar o animal. Atrás do camponês temos uma cabra doméstica que está de pé sobre as suas patas traseiras e pousa as patas dianteiras sobre as costas do camponês. Esta cabra está associada ao signo do zodíaco de Capricórnio. Esta moldura sofreu alterações durante as obras pelo que lhe falta a cartela onde deveria estar escrito o nome do mês. Logo abaixo desta moldura temos a moldura que representa o mês de janeiro, aqui podemos ver um homem sentado de gorro na cabeça, ao seu lado uma lareira onde prepara a comida. Por cima dele veem-se, pendurados no teto, os enchidos que estão a ser curados com o fumo que sai da panela. A secagem de carnes é uma atividade associada ao mês de janeiro. O homem tem um copo na mão esquerda, no qual um jovem vaza água. A este vazar de água está associado o signo de aquário. Por cima da cena está uma cartela onde deveria estar escrito o nome do mês. Abaixo duas molduras associadas ao mês de fevereiro. Na primeira vê-se dois homens, um a segurar numa cartela, onde devida constar o nome do mês por escrito e o outro a colocar peixe numa panela com água a ferver, este peixe está associado ao signo do zodíaco peixes. Abaixo desta cena temos um homem a podar e amarrar a vinha para que a videira germine na primavera. Este trabalho do campo, geralmente, encontra-se associado ao mês de fevereiro.

No lado direito do portal, no topo da pilastra está a moldura que representa abril. Podemos ver um pastor sentado à sombra de uma árvore a tosquiar uma ovelha. Esta cena retrata a recolha da lã, que é um trabalho típico deste mês. Por cima da cena um touro que está associado ao zodíaco com o mesmo nome. Esta moldura, à semelhança da do topo do lado esquerdo, também não tem cartela devido às alterações feitas no portal.

Abaixo foram esculpidas três cenas que representam o mês de março. Na primeira vemos um pastor que segura uma cartela (onde deveria estar escrito o nome do mês) que tem a seus pés deitado um carneiro (este animal está associado ao signo do zodíaco), logo a seguir, o deus romano Marte com o seu traje completo de guerreiro (este deus romano é que deu o nome ao mês de março) e por fim, também associado ao mês em causa, temos a figura de “Marcius cornator” símbolo do vento soprando um chifre.

As faces laterais destas pilastras são decoradas com cenas de pessoas e animais entrelaçadas em gavinhas com motivos florais. As mesmas são coroadas por um capitel decorado com elementos vegetalistas.

Junto às pilastras do ciclo dos meses há uns postes redondos, os quais foram cinzelados por Radovan. Neles veem-se inúmeras figuras humanas, animais e criaturas místicas. Todas elas estão entrelaçadas entre si por motivos florais.

Nestas colunas Radovan leva à máxima o realismo da escultura da Lombardia. Nelas são visíveis vários tipos de cenas de caça a animais selvagens, como por exemplo, rena e coelhos. Em algumas destas, os homens caçam com lanças a pé ou a cavalo, noutras caçam com cães e há ainda a famosa cena da caça com falcão. Vemos caçadores a carregar um javali numa vara, outro a carregar um coelho num pau e outro ainda a amanhar a caça capturada. Para além destas cenas, há outras nas quais os homens são a caçada dos animais selvagens, como por exemplo ursos, leões e cobras. Também existem cenas com o homem a trabalhar nos campos e na subjugação da floresta com o desbravar da natureza selvagem para a transformar em campos férteis. Também se pode observar algumas criaturas místicas, como por exemplo centauros e sátiros. Todas estas cenas podem ser facilmente interpretadas como uma tentativa de Radovan ilustrar a história da raça humana após a sua expulsão do paraíso.

Na base das pilastras dos apóstolos e do ciclo dos meses existem oito figuras de homens fortes que parecem estar a carregar o peso das mesmas, estas figuras são obra do Mestre Radovan. Segundo alguns estudiosos, estas representam as diferentes raças e religiões. Das oito figuras existentes apenas duas estão vestidas, as restantes estão quase desnudas, descalças e sem chapéus.

Talvez este texto venha a ser o mais longo que alguma vez vou escrever para a Peregrinação Turística. Apesar de ser um portal pouco conhecido, eu pelo menos nunca tinha ouvido falar deste, não faz com que seja menos importante do que os das outras catedrais europeias construídas na mesma altura pelo que merecia algum destaque. Posso afirmar que foi uma surpresa muito agradável na minha roadtrip. Assim, penso que um texto onde se possa ler uma descrição completa sobre todos os pormenores contidos neste portal é fundamental existir. De referir que de todas as pesquisas que fiz na internet não encontrei um único texto que fizesse uma descrição tão completa como esta que agora apresento, tudo o que encontrava era sempre breve, sucinto e não falava de todas as partes que constituem este portal. Este documento tem por base alguns livros que encontrei em alguns depósitos de livros on-line e como era de esperar alguns estavam escritos em croata, outros em inglês. Tendo sido necessário socorrer-me de ferramentas de tradução para conseguir traduzir o croata e, desta forma, conseguir obter as informações que necessitava para descrever o portal, uma vez que, pessoalmente, só tinha presente o que observei e isto não era o suficiente para conseguir escrever um texto tão detalhado, por que como sabem a memória, por vezes, também falha e não consegue reter todos os detalhes. Assim, penso que este irá ser uma mais-valia para quem visite Trogir, na Croácia, uma vez que o intuito deste é auxiliar na realização de uma melhor interpretação do Portal de Radovan.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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