Povoação Trail e o regresso às corridas!

Estávamos no décimo terceiro dia do mês de março, do ano da graça de dois mil e vinte e dois, o dia amanheceu solarengo e com ventania tal que com um pouco de sorte até dava para levantar voo. Tirando o vento (até porque o vento estava nas costas o que iria ajudar), estavam reunidas as condições ideais para o meu regresso ao que mais gosto de fazer, trilhar e correr.

Às 9 horas era dada a partida para a prova longa do Povoação Trail e tal qual séculos antes os primeiros povoadores portugueses entraram nesta enseada e rumaram ao desconhecido também eu partia rumo ao desconhecido abraçando esta aventura que se afigurava de dura.

O objetivo era não chegar em último e testar o meu corpo, mas não ir ao limite da exaustão, pelo que estar atenta aos sinais de desidratação e fome era vital para a corrida correr como havia planeado mentalmente.

Calçada da ligação entre Povoação e Faial da Terra

A prova iniciou-se junto ao edifício da Câmara Municipal e virou para a Rua do Morro que leva à Lomba dos Pós, passando logo a seguir para um caminho de terra com algumas zonas com calçada de pedra. Este caminho é o mesmo que os antigos usavam para ligar a Povoação ao Faial da Terra, esta parte seria a mais dura para mim, uma vez que começar a prova com uma subida vertiginosa sem aquecimento foi um rico bico-de-obra, mas tudo se fez sempre ao meu ritmo e sem stress, porque estava a depender só de mim. Chegada à zona do Pico dos Bodes virei à direita, primeiro a correr em asfalto e depois por um caminho de terra que dá acesso a pastos e terras de cultivo para voltar novamente ao asfalto para tornar novamente à terra. Neste último caminho de terra passamos por uma vigia da baleia, que no passado era usada para observação e localização de diferentes espécies de cetáceos. Nestes últimos quilómetros, o caminho foi sempre a descer até ao Faial da Terra. Já no centro do Faial da Terra atravessa-se a ribeira com o mesmo nome da freguesia e começa-se a subir rumo à Ermida de Nossa Senhora de Lourdes passando por algumas pastagens. Uma vez na ermida alcança-se a estrada regional, a qual desci para na primeira curva começar novamente a subir, primeiro o Pico do Preto um caminho de terra que passa por uma mata fechada de faia continuando a subir para a zona das lapas. No final desta zona, finalmente, uma descida, primeiro no Pereira e seguidamente o Caminho Rural dos Penicos. No final deste encontrei o meu primeiro posto de abastecimento, daqui a prova prosseguiu para a estrada EN1-1A, um pouco mais à frente desvio à direita para passar pela famosa zona do Cú de Judas e voltar à EN1-1A, mais à frente outro desvio desta vez à esquerda para descer até ao Sanguinho, onde encontrei o meu segundo posto de abastecimento. A partir daqui foi subir por um caminho de terra que faz parte do trilho oficial dos 4 caminhos do Faial da Terra até ao Pico dos Bodes. Chegada ao Pico dos Bodes era hora de todos os Santos ajudarem uma vez que o caminho era sempre a descer até ao centro da Povoação e cortar meta.

Faial da Terra

3 horas e 55 minutos, 24,48km e com 1587 metros acumulados nas pernas chegava à meta nutrida, hidratada e com o objetivo cumprido não cheguei em último, nesta que foi uma prova dura, mas pessoalmente estava feliz e consolada por ter acabado a prova sem que o meu corpo se sentisse fatigado ou dorido.

E sim confirmo esta prova é sem sombra de dúvidas a mais bonita de todos os Açores ou pelo menos de todas as provas que já fiz.

Quero deixar uma palavra de apreço e agradecimento à organização e a todos os que de alguma forma contribuíram para o sucesso desta segunda edição do Povoação Trail e felicitar todos os que participaram.

Mata que lava ao Sanguinho

Deixar um agradecimento muito especial a todos os que tornaram possível o meu retorno ao trail run começando pela pessoa que mais me sofreu e que sempre acreditou que eu iria voltar a correr o meu PT Renato que desenvolveu um plano de trabalho personalizado adequado às minhas necessidades, ao meu nutricionista Pedro que criou uma dieta especifica para que deixasse de sentir fome e conseguisse ganhar peso, à minha fisioterapeuta Raquel que trata e cuida dos meus músculos e articulações e claro às minhas parceiras de treino Ana Beatriz e Cátia que sempre que têm disponibilidade estão dispostas a irem fazer companhia nas corridas. Por último, mas não menos importante agradecer a todos que me apoiaram começando pela família Manuela, Carla e Samuel e às amigas Ana Luísa e Andreia obrigada pela paciência e por me fazerem acreditar que sou capaz de voar ainda mais alto. Um bem-haja e até à próxima prova 🙂

Foto gentilmente cedida: Povoação Trail

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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