Bursa, última paragem antes de regressarmos à base. Esta cidade situada no sopé do Monte Uludağ (Montanha Sagrada, altitude 2543 m, afamada pela sua estância de esqui) localiza-se na região de Mármara no noroeste da Turquia, sendo a capital da área metropolitana e da província com o mesmo nome. Tem cerca de 2.5 milhões de habitantes, o que faz com que seja a quarta maior cidade da Turquia, à sua frente Ancara, Istambul e Konya.
Amanhece em Esmirna! Sol, muito sol! Mas não vamos ficar nesta cidade pelo que seguimos rumo a Bursa. A Bursa Verde como os turcos a chamam e não se pense que o nome está relacionado com a famosa Mesquita Verde porque não é o caso. É assim chamada porque tem muitas árvores de amoreira, a folha desta árvore serve de alimento aos bichos-da-seda, em tempos idos, esta cidade era o centro de produção de seda havendo mesmo um trajeto da famosa Rota da Seda que aqui começava. No entanto, muita coisa mudou e na atualidade é famosa por ser o centro da indústria automobilista, uma vez que algumas das grandes marcas mundiais sediaram as suas fábricas nesta cidade. Vamos avançando na estrada e o tempo vai mudando o sol dá lugar ao céu cinzento e nublado ao ponto de quando chegamos a Bursa chuviscava, mas o tempo não influía no plano porque estávamos destinadas a um programa dentro de portas. O aguaceiro não se fez demorar muito e num ápice acabou.

Esta capital tem uma história longa e rica. Sendo que as primeiras evidências de que este local era povoado remontam ao século VI a.C., ao longo dos tempos foi governada por vários povos, como gregos, bitínios, romanos, estes últimos exploraram as fontes termais e otomanos que aqui criaram a primeira capital do seu império. Por falar em otomanos foram eles que deixaram a maior marca na arquitetura desta cidade, como símbolos de referência desta cultura: a Mesquita Verde (Yeşil Camii) que foi encomendada em 1412 pelo sultão Mehmed I Çeleb. A construção da mesquita teve o seu início em 1419 e terminou em 1424. A obra foi supervisionada pelo arquiteto e patrono das artes o vizir Hacı İvaz Pasha. A mesquita tem uma planta em T invertido em forma de cubo com uma extensão no lado sul e dois andares. O andar superior era destinado ao sultão que rezava sempre sozinho. O andar inferior e na zona atrás junto à porta principal há duas salas que são destinadas às senhoras para rezarem. O salão principal tem um tanque octogonal em mármore com uma fonte no centro sob uma cúpula central, que é a mais alto do edifício e é iluminada por uma lanterna. Nos lados do salão principal há duas salas dedicadas ao ensino, duas salas dedicadas aos monges muçulmanos (dervixes), o salão de orações dos homens e íman, para se chegar a este salão é preciso subir umas escadas. Neste espaço há um nicho, o Mihrab, cuja função é indicar a direção da cidade de Meca. O interior é revestido por azulejos verde, azul, turquesa, branco, amarelo, roxo claro e roxo escuro. Uma curiosidade, nesta mesquita existem dois cilindros embutidos nas paredes que rodam, estes têm como função indicar se o edifício tem ou não problemas estruturais, ou seja, se os cilindros deixarem de rodar é sinal que o edifício tem problemas na sua estrutura.
No mesmo complexo, mas num plano mais elevado que a mesquita, o l onde foi enterrado o 5.º Sultão Otomano Mehmed I. Este mausoléu foi mandado erguer por Murad II, filho e sucessor de Mehmed I, em 1421. O arquiteto da obra foi o mesmo que desenhou a Mesquita Verde. Este edifício tem uma planta hexagonal e é coroado por uma cúpula hemisférica. O interior é ricamente decorado com escrituras e desenhos de flores em azulejos amarelos, brancos e azuis. No centro do mausoléu, o catafalco real ergue-se sobre uma plataforma central e está rodeado por outros sete túmulos. O exterior deste monumento é revestido com os azulejos verde-azulados. A cor dos azulejos que revestem ambos edifícios fez com que ganhassem o nome de mesquita e mausoléu verde.

Tempo para fazermos uma paragem para almoço, mas não foi um almoço qualquer e sim o famoso İskender kebab, o qual consiste em lascas de carne assada no espeto que depois são colocadas sobre pide (pão turco) e cobertas por molho de tomate, sendo as mesmas acompanhadas por iogurte. De referir que este prato é típico da cozinha turca e foi criado nesta cidade por İskender Efendi, no ano de 1867.
Duas cidades da província de Bursa estão inscritas desde 2014 na lista de Património Mundial da UNESCO, são elas: Bursa e Cumalıkızık por “ilustrarem a criação de um sistema urbano e rural que estabeleceu o Império Otomano no início do século XIV. No local encontra-se a tumba de Orcano Gazi, fundador da dinastia Otomana”
Após o almoço e antes de rumarmos ao porto para seguirmos para Istambul paragem num pequeno mercado da seda. Não sei bem porquê veio-me ao pensamento Orhan Pamuk (primeiro escritor turco a ganhar o prémio Nobel da Literatura, em 2006) que um dia escreveu: “Na verdade, ninguém sabe que está vivendo o momento mais feliz da sua vida enquanto o vive” e realmente confesso que não estava muito virada para ir a Bursa. Por um lado, a viagem desde Esmirna até Bursa é grande (366Km) e, por outro, como não tinha feito pesquisa sobre esta cidade achei que não teria nada que me encantasse, mas por vezes é onde menos esperamos que somos surpreendidas e nos encantamos. Assim, foi Bursa uma agradável surpresa onde vivi um momento de muita felicidade!
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