Museu da Água (Aqueduto e Reservatório das Amoreiras)

Lisboa, 31 de maio de 2022.

Viver numa ilha tem coisas boas e coisas menos boas. Uma das coisas menos boas é sempre que se está em trânsito para viajar para além-fronteiras, tem que se pernoitar no continente, mas mesmo as coisas menos boas trazem consigo coisas boas, uma delas é o conseguir aproveitar o dia para ir conhecer zonas de Lisboa ou Porto que ainda não conheço. Este último trânsito calhou ter que ficar por Lisboa pelo que aproveitei para ir conhecer o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras e o Aqueduto das Águas Livres.

Assim, era aproveitar que o dia estava bastante soalheiro e ir explorar para descobrir o caminho para o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras e para o Aqueduto das Águas Livres. Estes dois monumentos estão classificados, desde 1910, como monumentos nacionais. Foram projetados pelo arquiteto húngaro Carlos Mardel e foram construídos para celebrar a entrada das águas em Lisboa.

O reservatório foi construído porque era preciso um lugar para receber e distribuir as águas transportadas pelo aqueduto. Assim, iniciou-se a sua construção em 1746, a qual só ficou concluída em 1843, durante o reinado de D. Maria II, quando se fez o remate da cobertura e mais alguns pormenores.

Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras

De referir que a construção desta cisterna conheceu inicialmente 3 plantas que eram muito complexas, mas o projeto final apresentou-se bastante simplificado com apenas um tanque e livre da carga decorativa exterior.

Com a morte do Carlos Mardel, em 1746, a construção do reservatório passou para as mãos de Reinaldo Manuel dos Santos, que fez algumas alterações ao projeto inicial, as principais alterações foram a cascata e a substituição das 4 colunas toscanas projetadas por Mardel por 4 pilares quadrangulares bastante pujantes. O interior do edifício apresenta-se como um espaço amplo e simétrico lembrando um salão duma igreja, sugerindo a sacralidade do líquido ali retido, a água. A água que é vertida da boca de um golfinho para uma cascata fica retida num tanque cuja profundidade é 7,5 m com capacidade de 5.500 m³. Deste tanque despontam 4 colunas que sustentam o teto de abóbada de arestas. Ao lado deste tanque há umas escadas que levam à cobertura do edifício, na qual temos uma vista 360 graus sobre a zona das Amoreiras.

A exploração por Lisboa continuou e levou-me ao Aqueduto das Águas Livres, em Alcântara. Este faz parte de um vasto sistema de captação de água na zona de Belas, bacia hidrográfica de Sintra, cujo transporte é feito de forma gravítica. A sua construção deveu-se a um imposto criado para o efeito, denominado Real de Água, que foi lançado sobre bens essenciais, como a carne e o azeite. A obra foi realizada entre os anos de 1731 e 1799. O trajeto escolhido para a passagem deste aqueduto coincide com o antigo percurso do aqueduto romano.

Aqueduto das Águas Livres

A parte visitável tem cerca de 2 km de comprimento e é composta por 35 arcos, onde se inclui o maior arco de ogiva do mundo construído em pedra com 65,29 m de altura e 28,86 m de largura. Resta só referir que este sistema resistiu ao terramoto de 1755.

Depois de um dia a calcorrear a capital para alimentar parte da minha fonte do saber e da curiosidade sobre o tema água veio-me aos pensamentos Johann Goethe que escreveu: “A alma humana é como a água: ela vem do céu e volta para o céu, e depois retorna à terra, num eterno ir e vir.” Assim é a minha alma e corpo de viajante, vivem num eterno ir e vir da ilha para o mundo e do mundo para a ilha, e pelo meio a paragem que é aproveitada para conhecer e aprender mais um pouco sobre cada local onde estamos estacionadas porque saber nunca é demais.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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