Aveiro, a Veneza portuguesa!

De passagem por Portus Cale (Porto) a cidade que deu nome a Portugal e aproveitando a companhia de alguns amigos para fazer turismo pelo meu país, que em nada fica atrás do resto do Mundo em beleza. Saímos do Porto e rumamos a Aveiro para “turistar” na zona, mas antes de chegarmos ao destino final desvio até à vila de Miramar, em Vila Nova de Gaia, para ir visitar a capela que talvez seja aquela que tem mais histórias e lendas a ela associadas. Falo da Capela do Senhor da Pedra, edificada na praia de Miramar, no cimo duma rocha e virada de costas para o mar, onde nem a envolvência do local tira o destaque a esta bela capela, que para mim é uma das mais bonitas e misteriosas de Portugal.

Deixando a capela, a muito custo, para trás e chegados a Aveiro era sinónimo de ir visitar a ria, que fez com que esta cidade ganhasse o cognome de “Veneza de Portugal”, refiro-me, está visto, à área protegida da Ria de Aveiro ou Foz do Vouga. Esta ria formou-se a partir do século XVI devido ao mar ter recuado na linha da costa, fazendo com que se formasse uma laguna da água salobra de baixa profundidade, que tem 45 km de comprimento e 11 km de largura máxima. Estas águas são lar para a lampreia, a enguia, o mexilhão, a amêijoa, flamingos, cegonhas, garças, genetas, lontras, entre outras espécies.

Capela do Senhor da Pedra

A partir de 2018 ficou mais fácil visitar a ria, uma vez que neste ano foi inaugurado um passadiço que liga o antigo Cais de São Roque a Vilarinho. Nós optamos por começar o trilho no Cais da Ribeira de Esgueira, porque ao fazer uma pequena pesquisa na internet li que os dois primeiros quilómetros que ligam o antigo Cais de São Roque ao Cais da Esgueira não tinham grande interesse paisagístico, visto que eram percorridos primeiro por um caminho de terra batida junto à autoestrada e depois passava para um caminho de alcatrão. A opção de encurtar o trilho mostrou ser uma mais-valia porque ao invés de começarmos a andar na balbúrdia da cidade, começamos na tranquilidade da ria.

Ainda mal tínhamos iniciado a caminhada e já estávamos a parar, mas por um bom motivo, há logo no início do passadiço um refúgio para observar e apreciar as aves que voam sobre a ria e nós claro que, como bons apreciadores da natureza, tivemos que ali parar, mas a sorte não foi nossa companheira porque o tempo que lá estivemos não vimos nenhuma ave. De referir, que a ria é local de paragem para muitas aves migratórias. Seguimos caminho para o passadiço que está montado sobre a água da ria e que é de madeira. Este percurso vai alternando entre o passadiço que serpenteia pelos sapais e alguns matos de pinheiros e eucaliptos.

O dia estava mergulhado na melancolia e a ria de maré vazia, à nossa frente abria-se uma paisagem pantanal de vegetação rasteira e bancos de areia com barco naufragados e outros aportados no cais à espera de que a maré subisse. Lá íamos nós imersos nesta paisagem e a cada paragem o nosso saber da ria aumentava, uma vez que ao longo de todo o trajeto existem painéis informativos sobre a fauna e a flora, até mesmo quando nos sentávamos a apreciar no horizonte as antigas gruas e casas, os bancos eram uma fonte de conhecimento, pois neles há gravados dizeres aveirenses.

Pormenor do Passadiço da Ria de Aveiro

O passadiço é uma preciosidade que a Mãe Natureza fez nascer na Região de Aveiro que merece e muito um desvio para ser visitado, pois só assim se pode desfrutar de toda a paz e formosura que esta ria tem para oferecer. O percurso, este tem um formato linear, é plano e ostenta muita beleza ao longo dos seus 5 km, quer dizer 10 km se for ir e voltar.

Acabamos o passadiço com tanta energia positiva que decidimos ir espalhar um pouco daquilo que havíamos recebido pelo centro de Aveiro, onde vimos os barcos Moliceiros, as “gondolas” de Portugal, são assim chamados porque faziam o transporte duma alga chamada Moliço. Na atualidade, estes barcos só navegam para fazer as alegrias dos turistas. Nas imediações, as salinas nas quais se produz um recurso muito valioso na história de Aveiro, o sal marinho, ou como é chamado localmente “ouro branco”. A produção deste sal teve o seu auge nos anos 60 quando havia 270 marinhas a laboral. Hoje em dia, destas 270 marinhas só 7 continuam em atividade e destas só algumas continuam a produzir sal, porque algumas marinhas começaram a virar a sua atividade para as exigências do atual mercado, através da abertura de espaços de lazer onde se pode usufruir de praia e banhos de água salgada. Resta mencionar que foi aqui que vi os famosos flamingos. Que aves tão graciosas!

Salinas de Aveiro

Nem dei pelo tempo a passar neste dia, realmente quando se diz que quando estamos a fazer coisas que gostamos e bem acompanhados o tempo voa é realmente verdade. Era hora de voltar ao Porto, mas antes fomos à Praia de Tavira e como estávamos pertinho fizemos desvio para ir lanchar a Ovar o tradicional Pão-de-ló e para aquecer a alma bebemos um copinho de Vinho do Porto, soube pela alma este lanche e o passeio turístico.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


Deixe um comentário