A natureza selvagem de Água D’Alto

Há quem não goste de chuva, mas para mim não existe som mais relaxante para dormir do que a chuva a bater na janela e foi o que aconteceu a noite passada. Já sonhava com lagoas e ribeiras cheia de água para as fotografar. Amanheceu e da noite de chuva já só restava o meu sonho sobre a cascata mais furtiva de sempre, pelo menos para mim, e falo da cascata do trilho oficial das Quatro Fábricas da Luz. Há anos que ando à “caça” desta cascata e, para perceberem o tempo que ando a tentar fotografá-la, digo-vos que mesmo antes de existir este trilho oficial já me embrenhava pelo mato na esperança de ver e fotografar esta cascata e até à presente data ainda não fui bafejada pela sorte, mas não perco a esperança há-de chegar o dia em que finalmente vou conseguir fotografar.

Tanque de Água D’Alto

Juro-vos que após uma noite de dilúvios de chuva pensei que a mesma estava a correr pelo que sai cedo e lá fui eu, mais uma vez, fazer o trilho das 4 fábricas da luz, que sem exageros penso já o seria capaz de fazer de olhos fechados, mas nem a chuva, nem muito menos o sair cedo bafejou a minha sorte com a cascata, que se manteve teimosa na tradição de se manter seca, quer dizer, desta vez até tinha um fiozinho de nada de água, mas não era a senhora toda-poderosa cascata que já vi em algumas fotos. Na falta de ver a cascata não me deixei desanimar e decidi concluir o trilho. Havia que aproveitar o sol que estendia os seus raios sobre a ilha, como que a querer compensar-me a cascata ter-me falhado pelo que quando cheguei ao caminho de cimento, após passar o tanque e as levadas, decidi ir até à Vila e fazer uma coisa que a maioria das pessoas faz no verão e que eu só faço no inverno, ou seja, visitar as praias. E lá fui eu feliz e contente pelas canadas até a Vila Franca do Campo, esta que foi a primeira cidade mais importante da ilha de São Miguel, só perdendo este estatuto após o terramoto de 20 de outubro de 1522 que a destruiu por completo.

Neste concelho há muitas praias e talvez seja aqui que se concentram as praias mais procuradas durante o verão, praia da Vinha d’Areia, praia de Água d’Alto, praia de Trinta Reis, praia do Corpo Santo, entre outras. Mas eu sou mesmo adepta das praias menos conhecidas, pelo que a primeira que visitei foi a do Degredo, que está rodeada por encostas altas e verdejantes com algumas nascentes e uma cascata que aqui chega a oeste vinda da Ribeira do Degredo. Não é uma praia muito grande, tem apenas 360 metros de areia vulcânica, mas a natureza neste local ainda é pura e selvagem onde se consegue ter alguma paz. Para completar todo este cenário de serenidade o ilhéu de Vila Franca como plano de fundo nas água límpidas. O acesso a esta praia é pedestre e feito por um caminho estreito e um pouco inclinado.

Praia do Degredo


O tempo na costa continuava agradável apesar da chuva no mar e avancei para a próxima paragem, a praia da Pedreira. Esta está localizada numa bacia de água cristalina rodeada por arribas altas, o que faz com que a mesma tenha uma beleza única. É pequena, o seu areal de areia fina vulcânica ocupa 170 metros, mas para se chegar a esta é mais complicado, visto que o acesso pedestre é feito em torno da arriba descendo-se 260 degraus, mas vale e muito o esforço. 

De referir que ambas as praias estão localizadas na freguesia de Água D’Alto e não são vigiadas na época balnear.

Sigo para o carro, “Está fazendo um dia lindo de outono. A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só…” tão eu neste dia de outono como este poema de Clarice Lispector.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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