O dia ainda ia a meio quando acabei de fazer o Caminito del Rey e eu, ainda arrebatada pela beleza do trilho, decidia o que fazer o resto do dia. Penso em voltar para Ronda e ir visitar os banhos turcos, mas já não sei quem referiu a visita a Setenil de las Bodegas e eu guiada pela intuição e com uma pesquisa rápida na internet decido navegar para esta pequena vila de 82m2 localizada na Serra de Cádis.
Esta pequena vila conta com cerca de três mil habitantes e faz parte da Rota das Aldeias Brancas de Cádis. Oferece um cenário muito invulgar e original onde as casas estão abrigadas sob a rocha e o inesperado arquiteto desta obra foi nada mais nada menos que a Mãe Natureza, mais propriamente dito, o Rio Guadalporcún.

Ao longe começo a vislumbrar a pequena vila, que quando foi planeada no século XIII pretendia ser uma grande muralha, mas nos dias que correm é uma vila muito procurada pelo turismo, que vem à procura do mar de pequenas casas todas pintadas de branco cujo teto é uma rocha de cor ocre, a qual foi moldada pela erosão do rio que serpenteia devagarinho a meio deste lugar marcando o compasso das horas.
Ao longe já me sentia encantada por aquela vila declarada Conjunto Histórico-Artístico em 1985, passear por entre aquelas ruas estreitas foi outro nível para o qual não consigo arranjar palavras para descrever o atrevimento da Mãe Natureza, criar estas reentrâncias na rocha cujo ser humano aproveitou para utilizar como teto para as suas habitações e onde em algumas ruas estas mesmas reentrâncias ajudam a bloquear o frio e o calor. Um bom exemplo destas reentrâncias são dois dos locais que visitei e que talvez sejam mesmo os mais procurados neste sítio por neles estar acentuado esta característica da construção na rocha, um é a Cuevas del Sol e o outro é a Cuevas de la Sombra.

Ando algumas horas perdida a explorar cada recanto desta vila muito pitoresca que é considerada a mais bonita e romântica da Rota das Aldeias Brancas de Cádis e perdida nesta vila onde o céu é de rocha dou por encerrado o meu dia que já ia longo e sigo para o hotel, pois era hora de descansar e continuar a sonhar.
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