A subida à Serra do Morião!

Início da primavera e lá estou eu outra vez na ilha que em tempos idos já foi capital de Portugal, falo claro da ilha Terceira. Desperto com o badalar dos sinos da Igreja da Misericórdia, mas deixo-me ficar mais um pouco na cama a absorver os sons citadinos, o barulho dos carros e os sons das pessoas que já andam pela rua nos seus afazeres. Aos poucos vou despertando os meus sentidos, os raios de sol entram descaradamente pela janela provocando em mim desejo para ir caminhar. Saio da cama agarro a Menina da Ilha Rainha e lá vamos nós meter os pés na Rota da Água. Escolhemos fazer este trilho devido à forte componente de interpretação ambiental da importância da água para a cidade de Angra do Heroísmo, para os seus habitantes e as diversas funções que esta teve ao longo de cinco séculos.

Este trilho é pequeno tem cerca de 5km, mas como é linear a distância dobra.

Neste dia e ao contrário da primeira passagem deste ano pela Terceira tive que ligar o GPS, uma vez que o trilho iria ser uma estreia para as duas caminhantes. Esta rota inicia-se junto à Quinta da Nasce Água e sobe até à Serra do Morião, mas antes de lá chegarmos fizemos alguns desvios.

O caminho, no início é asfaltado, mas mais acima quando entramos na Área Protegida de Gestão de Recursos da Caldeira do Guilherme Moniz o caminho transforma-se numa canada de terra batida.

Capela da Lapinha

Mal tínhamos iniciado o trilho e já estávamos a fazer um desvio para ir ver a Capela da Lapinha que se localiza no meio dum pasto, um pouco mais acima novo desvio para ir ver as ruínas de 3 moinhos de água, o que resta dos mais de 40 moinhos que existiam a laboral nesta levada conhecida como a Ribeira do Moinho. Desta levada também saia a água que movia o engenho dos pregos, uma serra de água, alimentava as alcaçarias e diversos lavadouros e pias. A água desta levada foi muito importante para Angra do Heroísmo, visto que contribuía para manter a limpeza desta cidade. Após passarmos os moinhos, continuamos a subida passando por uma zona de captação de água e aqui nesta zona o caminho volta a ser de terra batida, mais à frente entramos num pasto e continuamos a subir acompanhadas pela conduta adutora (tubo verde), a qual traz a água da encosta até à zona das centrais mini-hídricas. Este tubo guia-nos até ao tanque das Costaneiras, é neste tanque que se faz a regularização das águas e foi junto a este que almoçamos, a vista sobre Angra neste lugar é fenomenal e muito tranquilizadora.

Continuamos a caminhada um pouco mais acima do tanque o Cruzeiro da Ordem dos Templários, que foi construído na década de 50, para celebrar o V centenário do povoamento da ilha Terceira, que aconteceu no ano de 1450. Segundo o livro de Pedro de Merelim, “Serviços Municipalizados de Angra”, de 1979, a construção deste cruzeiro assenta na ideologia “Que fora da égide cristã não pode haver progresso verdadeiro”.

Passado o cruzeiro continuamos a subida rumo ao geodésico da Serra do Morião 586m acima do nível do mar. Esta subida serpenteia por entre uma mata de urze e faia, que pertence à Área Protegida de Gestão de Recursos da Caldeira do Guilherme Moniz. Ao chegarmos ao cume temos uma visão panorâmica sobre a costa sul da ilha e parte da Caldeira do Guilherme Moniz. Neste local conseguimos perceber como funciona o ciclo da água, que vai desde as massas de ar húmido da caldeira até surgir a água nas nascentes da encosta do vulcão onde é captada, tratada e distribuída para consumo.

Após absorvermos a energia daquele local com aquela vista soberba sobre a costa iniciamos a descida, a qual se faz pelo mesmo caminho que se sobe. A meio caminho fizemos um desvio e entramos na zona das centrais mini-hídricas da nascente da Mãe-de-Água e foi aqui que encontramos a primeira central hídrica das três centrais hídricas de Angra, onde é possível ver como as centrais são abastecidas.

Tanque das Costaneiras com o Monte Brasil ao fundo

No ir e voltar, o dia foi mudando a sua cara, do bom tempo que se fazia sentir passamos para um dia fechado, ao ponto de nas zonas altas se ter baixado nevoeiro. Enquanto regressávamos ao centro de Angra pensava termos sido bafejadas pela sorte nesta subida ao topo da Serra do Morião, realmente quando é para acontecer até o que atrapalha ajuda.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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