Angra do Heroísmo, o dia acorda perfeito para caminhar e nós aproveitando a boa disposição dos deuses do tempo fomos caminhar. A caminhada já havia sido escolhida, subir ao Pico Dona Joana desde o nível do mar. Pelo que talhamos caminho para o Miradouro da Cruz do Canário. Neste local tem-se uma vista fenomenal para o Ilhéu das Cabras, agora existe um baloiço para o retrato turístico, hummm os baloiços andam em voga pelas ilhas dos Açores, tenho-me cruzado com alguns instalados nos pontos turísticos mais procurados, mas nada contra este tipo de instrumentos.
Deixamos o miradouro dando assim início à nossa aventura, avançamos para o Caminho da Serretinha, onde passamos pela de Ermida de Nossa Senhora da Esperança. Este pequeno templo cuja sua construção remonta ao século XVI, é de nave única com altar dedicado a Nossa Senhora da Esperança. Segundo consta foi aqui construído porque a imagem primitiva teria sido encontrada na costa, a mesma teria sido levada algumas vezes para a igreja paroquial, mas durante a noite voltava sempre a este local e assim cumprindo a vontade de Nossa Senhora construiu-se a ermida neste local. De referir que desde a sua construção e até meados do século XX era muito procurada por pessoas que a ela chegavam em romaria e que em 1650, por testamento de Isabel Gouveia, recebeu o legado da Casa dos Romeiros que na atualmente está extinto.

Mantivemo-nos mais uns metros a caminhar no Caminho da Serretinha e depois virámos para a Canada da Esperança. Foi neste caminho que iniciamos a verdadeira subida na demanda de atingirmos o geodésico do Pico Dona Joana. E lá fomos nós na esperança que o sol, que estava bem quente, não nos matasse e realmente não matou, mas foi sempre moendo. Na subida passamos pela Quinta Pedagógica Nossa Senhora das Mercês um espaço de lazer e merendas, o qual inclui um parque infantil.
Prosseguimos a subida que nos levou à Estrada Regional. Uma vez ali chegadas (à estrada) viramos à esquerda e mais à frente entramos na Canada do Parada, depois continuamos a subir por caminhos agrícolas, dos quais não sei os nomes. Por fim, entramos num caminho de terra batida que nos levou ao geodésico do Pico Dona Joana (331m), que tem a seguinte inscrição “IGP 1951”. Pelo caminho São Pedro, penso que ficou com pena das caminhantes, mandou uma chuvinha para refrescar. A vista do cume do Pico Dona Joana é muito bonita, vemos os campos de cultivo e as pastagens, a freguesia do Porto Judeu, a linha de costa até à Ponta das Contendas e no mar a coroar todo este cenário o magnífico Ilhéu das Cabras. Quando pensas que já estás a ser bafejada pela sorte com aquela vista, viras-te e ainda há mais para ver, a majestosa Manta dos Retalhos e a Serra do Cume. Deixo-me ficar aqui neste alto contemplando tal beleza que me esventra os olhos e se entranha na mente e que nem mesmo a chuva consegue apartar, sinto que sou como Vitorino Nemésio certo dia escreveu: “Sou ilhéu; e, tanto ou mais do que a ilha, o ilhéu define-se por um rodeio de mar por todos os lados. Vivemos de peixe, da hora da maré e a ver navios…”

No percurso descendente optamos por não fazer o mesmo trajeto que fizemos quando ascendemos e assim começámos a descer num caminho agrícola que nos levou de volta à Estrada Regional, onde andamos um pouco para mais à frente entramos no Caminho Velho, viramos para a Rua João Caminho e, por fim, atravessarmos a Estrada da Serretinha. Os últimos metros da caminhada foram passados a percorrer parte do Passeio Marítimo dos Artistas e num ápice estávamos de volta ao miradouro.
Resta referir que este não é um trilho oficial pelo que não há sinalização, sendo como se costuma dizer: “todos os caminhos vão dar a Roma”. Até breve e boas caminhadas!!
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