E finalmente chegou o domingo mais esperado de outubro, o dia 15. O tempo, este é que não estava para muitos amigos, acordou maldisposto e de má cara, muito cinzento e chuvoso ao ponto que cheguei a pensar que iriam cancelar a prova, mas tal não aconteceu pelo que mantivemos o plano de participar na mesma. Esta prova seria especial para mim já que ia ser a primeira prova que fazia acompanhada pela minha irmã, que se iria estrear nestas andanças e digo-vos não poderia estar mais orgulhosa da prestação dela.
O dia começou cedo, era preciso preparar as mochilas para levar comigo, uma com uma mudança de roupa e outra para me acompanhar na prova com água e alguma coisa para comer. De seguida, tomei o pequeno-almoço para começar a fazer a digestão, pois não gosto de caminhar sem ter comido. No entretanto, a minha irmã chegou e lá fomos nós rumo às Sete Cidades para chegarmos ao local de partida a horas. No que se refere ao sítio onde a prova iria decorrer, as Sete Cidades, penso não é necessário fazer uma de descrição já que o nome diz tudo, ou não fosse um dos ex-libris da ilha de São Miguel. Chegamos, estacionamos o carro e seguimos para o ponto de partida, chovia a bom chover, mas gente doida é mesmo assim, nem chuva, nem ventania demoveram os muitos que ali acorreram para participarem no trail.

A partida foi dada um pouco depois da 9h30m com a chuva grossa a não dar tréguas e lá fomos nos para a nossa aventura. Eu já conhecia o caminho, mas não deixava de ser aventura já que era a primeira vez que iria fazer aquele caminho com a minha irmã. Para não variar, seguimos contrariando os restantes caminhantes que saíram a correr, deviam estar com pressa para acabarem a prova e livrarem-se da ira de São Pedro. A prova começou por contornar parte da margem da lagoa azul para no fim iniciarmos a subida pelo Caminho dos Rebentões na companhia da chuva grossa que nos acompanhou até ao início da cumeeira grande e que já estava a tornar-se incomodativa. Ao chegarmos ao cimo da rua viramos à esquerda em direção à estrada, a qual subimos até ao miradouro da Várzea para entrarmos na cumeeira pequena, que percorremos na sua totalidade. O tempo por esta altura do campeonato já tinha dado uma trégua, no entanto, foi-se a chuva e veio o nevoeiro e a sua amiga ventania que não permitiam paragens para ver as vistas. Pena mesma porque desta cumeeira temos uma vista fenomenal sobre a freguesia das Sete Cidades, daqui vemos a lagoa e as suas muitas casinhas protegidas no fundo da caldeira do vulcão adormecido rodeadas por outros cones vulcânicos, como a Caldeira Seca ou o da Lagoa do Alferes. Um pouco antes de chegarmos às antenas e, por conseguinte, à Vista do Rei viramos à esquerda para iniciarmos a descida rumo ao local de partida/chegada, uma vez que o trajeto era circular. A descida foi feita por um antigo caminho de ligação que com o passar dos anos tem-se vindo a degradar e, na atualidade, tem locais com covas bem fundas e zonas que há muito ruíram o que é uma pena. Fomos descendo ao nosso ritmo para evitarmos que nos magoássemos, a meio da descida viramos à direita entrando no caminho que leva ao parque de campismo, mas não viramos para o parque seguimos em frente virando à direita e saindo no início da lagoa verde e assim chegamos à Rua dos Xailes Negros, que percorremos até chegarmos novamente à lagoa azul, a qual contornarmos mais um pouco da sua margem para, por fim, cortarmos a meta, onde fomos recebidas como verdadeiras vencedoras e nem fomos as primeiras a chegar, mas cortar a meta depois da prova ter decorrido em condições meteorológicas tão adversas é sempre uma vitória.

Para finalizar, quero deixar uma palavra de apreço e agradecimento à organização e a todos os que de alguma forma contribuíram para o sucesso deste primeiro trail solidário da Zona Militar dos Açores e felicitar todos os que participaram. Um bem-haja e boas caminhadas!
Galeria das fotografias legendadas: Aqui
Nota: As fotos foram obtidas uns dias após a realização do Trail Solidário da ZMA uma vez que no próprio dias as condições meteorológicas não eram as melhores e durante a prova não levo a máquina comigo.