Baía dos Cabrestantes e Praia dos Lobos

Mais um dia de outubro pela ilha de Santa Maria, mas hoje o dia contrariando o outono acordou sorridente, alegrado pelo sol que se fazia sentir e que mais tarde nos levaria a ir dar um mergulho na Praia Formosa, mas sobre a ida à praia falarei mais à frente porque por agora quero contar-vos a nossa ida à Baía dos Cabrestantes localizada na costa noroeste desta ilha. Antes de seguirmos, paramos no Mercado Municipal da Vila do Porto para comprar as deliciosas alheiras de Santa Maria para o jantar e por fim rumamos ao aeroporto, mas não fiquem tristes ainda não era o dia de ir embora, felizmente. O caminho que iriamos percorrer neste dia, para visitar a baía, começava na zona do aeroporto e foi assim que nos vestimos de descobridoras e lá fomos tal qual Diogo de Silves e os seus tripulantes descobrir a Baía dos Cabrestantes. Reza a história que os descobridores portugueses entraram na ilha pela primeira vez vindos do mar para a explorar e mais tarde povoar por esta baía, mas nós somos navegantes da terra pelo que fomos esventrar a ilha no sentido contrário, ou seja, da terra para o mar.

O caminho que leva à baía é de terra batida e por aqui também passa a grande rota que chega a este local após contornar o aeroporto pelo lado da costa, nós fizemos o trajeto pelo lado contrário, ou seja, pelo interior. Ao longo do percurso, até chegarmos a esta baía que é a formação geológica mais antiga desta ilha, estimando-se ter entre 8 a 10 milhões de anos, a acompanhar-nos muitas pedras e muita vegetação baixa. A certa altura o meu GPS começa a mostrar uma lagoa de nome Cova do Areão, mas se existe lagoa como indicava o GPS neste dia estava completamente seca e ocupada por vacas. A menina da Ilha Rainha ao ver aquela depressão refere que se calhar ali em tempos idos podia ter havido exploração de extração de pedra, mas apesar das evidências não se conseguiu confirmar se houve ou não ali uma pedreira pelo que seguimos caminho para o edifício do Polígono de Acústica Submarina dos Açores, que na atualidade está desativado e ao abandono, mas em tempos idos nestes edifícios funcionava o Centro de investigação criado através da cooperação de oito países, membros da NATO (Portugal, E.U.A, Canadá, França, Itália, Inglaterra, Holanda e Alemanha Federal). Este centro tinha como objetivo recolher dados acústicos referentes ao meio ambiente, características do fundo do oceano e também o conhecimento do mar para outros fins científicos.

Zona da Bateria da Laje de Peça – Anjos

Chegamos ao Polígono de Acústica Submarina dos Açores e contornamos o edifício para ver a baía que não desilude é muito bonita. Entusiasmada, tiro a mala das costas para tirar a máquina e registar o momento e qual não foi o meu desapontamento havia deixado a máquina em casa. Fico doida comigo por tal distração e peço à Menina da Ilha Rainha para voltarmos a casa para que vá buscar a máquina, com este gesto o programa do dia muda e ainda bem que assim o foi, porque aproveitamos para relaxar um pouco, mas já falarei sobre a mudança de planos. Então, fomos a casa buscar a minha bichinha e voltamos à baía para que a fotografasse, percorro alguns cantos desta linda baía, sim desta vez e ao contrário de muitas outras vezes não vi tudo que queria, deixei um caminho que vi na encosta para percorrer duma próxima vez. Desci e fiquei ao nível do mar e foi aqui que encontrei o que restava do antigo forte que tem o nome da baía, que aqui havia sido construído para defender a costa de ataques de corsários e piratas. Volto para junto da minha companhia e neste instante decidimos que vamos almoçar aqui para aproveitar a tranquilidade deste local, o sol, a vista para o mar, enfim, um sem fim de coisas que convidavam a ali ficar mais um pouco, mas não se pense que esta foi a última vez que aqui venho porque agora descobri onde fica esta baía vou voltar mais vezes, tenho a certeza que sim. Findo o almoço voltamos para o carro e devido à mudança de planos vamos dar um mergulho para depois irmos à descoberta da Praia dos Lobos. A praia escolhida para o mergulho é talvez a mais procurada da ilha, vou dar uma pista para que tentem adivinhar qual foi. É o local onde se realiza o Festival da Maré de Agosto e a esta hora e com esta pista já devem ter adivinhado qual foi a praia que fomos certo? Quem pensou na praia Formosa acertou. Digo-vos não sou apreciadora de banhos de mar, mas o dia estava mesmo convidativo a um mergulho no mar. Dei um mergulho caminhei pela praia e estendi-me na toalha a repor a vitamina D, enquanto a Menina da ilha Rainha, que é apaixonada pelo mar, aproveitou para dar mais um mergulho. O mar naquele dia estava bastante tranquilo para a altura do ano, o mesmo já não se pode dizer uns dias mais à frente, nos quais estava muito revolto.

Zona da Cascata da Ribeira de Santana

O sol convidava a ficar, mas era tempo de seguirmos para os Anjos e ir à descoberta da Praia dos Lobos, uma pequena baía de calhau rolado, assim chamada por em tempos passados ter existido no local lobos-marinhos. Estacionamos o carro junto às piscinas naturais e daqui seguimos caminho entrado no Trilho Oficial da Grande Rota, onde passamos pela Poça do Carro, uma piscina natural de pequenas dimensões, pelas ruínas da Bateria da Laje da Peça e mais à frente a tão procurada Praia dos Lobos e fico a pensar estes lobos-marinhos é que sabem o que é bom, uma baía com águas límpidas, bem azuis e calmas como não gostar de aqui estar e viver. Mas não ficamos por aqui seguimos mais um pouco pelo caminho da Grande Rota, pois havia lido que existia uma cascata na Ribeira de Santana, eu a maluquinha das cascatas claro que não ia perder a oportunidade de a ver e seguia esperançada de conseguir mesmo ver a cascata, já que nas noites anteriores havia chovido de boa vontade, mas ao chegarmos à ribeira não havia cascata, estava seca, infelizmente. Aqui decidimos voltar para o carro, o sol começava a descer para ir dormir, eu aproveitava para ir apreciando e fotografando a costa, que nesta zona é particularmente bonita. Antes de chegarmos ao carro paragem para ver a Gruta de Santana, também chamada de Furna de Santana, uma pequena cavidade de origem vulcânica que mede 117,85 metros comprimento, 11,2 metros de largura máxima e 8,6 metros de altura máxima. Aqui encontramos uma pequena rã, quer dizer era mais uma minúscula rã e antes de irmos para casa uma última paragem para apreciar o pôr-do-sol que na zona dos Anjos é sempre especial. Chegadas a casa sinto que uma vez mais temos sido abençoadas nesta passagem pela ilha do sol, os deuses do tempo têm-nos poupado ao mau tempo e deixado que aproveitemos esta ilha que em tudo é muito bonita. Um bem haja e boas caminhadas!

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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