EPIC Trail Run Azores: Uma Aventura Épica na Natureza

Mais um dia, mais uma aventura, desta vez levou-nos ao EPIC vertente caminhada, a minha primeira vez a fazer esta prova e digo-vos é mesmo épica. O dia começou cedo havia que fazer a minha deslocação até Vila Franca do Campo, uma vez que era nesta zona onde iriam realizar os nossos transfers até Água de Pau, local onde a prova tinha o seu início. Antes da partida, uma chuvinha para lembrar o pessoal que só gente brava se arrisca a ir caminhar com aquelas condições meteorológicas, eu claro feliz da vida, íamos ter lamaçal!

Praia dos Trinta Reis – Água d’Alto

A partida foi dada junto à Igreja Paroquial de Água de Pau, que é dedicada a Nossa Senhora dos Anjos. Esta igreja foi construída no século XVI, mas durante a segunda metade do século XVIII foi reformada, pelo menos a nível das fachadas. E se houvesse quem quisesse fazer uma última prece, antes de ser dado o sinal de partida, a pedir que a previsão do tempo não se concretizasse o local era este, fez-se a contagem decrescente, deu-se o sinal de partida e o pessoal nem quis saber da chuva arrancou nas correrias, não deviam saber o que os esperava quando a Rua do Paul acabasse, ou até sabiam e aproveitaram estes metros iniciais para ganhar terreno. Eu é que não me queria matar tão cedo pelo que fiz a minha partida em ritmo caminhada e lá fui eu com o objetivo de acabar a prova com a minha irmã sem mazelas e não ser a última. Percorremos a Rua do Paul e nesta rua devo referir que existem umas antigas pias de lavar roupa que estão transformadas em museu, as quais só vi quando uma vez espreitei pela janela nunca apanhei o local aberto. Chegando ao final desta via iniciamos a nossa primeira de muitas subidas, que nos levou à zona de escalada das Pedras Brancas e, consequentemente, a entramos no trilho oficial das Pedras Brancas, aqui podemos cheirar no ar o aroma agradável dos eucaliptos. Subimos, passamos as Pedras Brancas e continuamos a subir até ao local de captação de água, onde o cheiro o eucalipto deu lugar ao cheiro das criptomérias, lembrando a época natalícia que está ao virar da esquina. Neste local viramos à direita onde apanhamos um engarrafamento de pessoas, o caminho aqui era estreito e era preciso atravessar uma pequena ribeira que as pessoas iam atravessando com precaução e devagar devido à lama. Passada a pequena ribeira continuamos a subir por entre muitas árvores de incenso, plátanos, entre outras e as muitas conteiras que haviam sido cortadas dias antes tornando a subida mais escorregadia. Mais acima finalmente uma zona plana para descansar as pernas, como quem diz, já que a muita lama fazia com que o caminhar se tornasse mais difícil, aqui encontramos dois lavradores nos seus afazeres. Seguimos e chegamos a uma rua de terra batida que se tivéssemos virado à direita teríamos descido à Ribeira Chã, mas não, o nosso caminho era a subir rumo a uma zona de pastos, nos quais encontramos mais dois lavradores, um dos quais estava montado num lindo cavalo branco. Deste sítio temos uma vista sobranceira sobre a freguesia da Ribeira Chã e para o ilhéu de Vila Franca do Campo. Continuamos caminho porque atrás vinha gente e passamos por um bebedouro. A via sempre lamacenta e com sombra das muitas árvores, mais à frente apanhamos uma faixa estreita cuja parede era de pedra-pomes e onde a lama era tanta que houve uma caminhante que perdeu o sapato. Atravessamos mais uma pequena ribeira e prosseguimos na demanda da subida, mais à frente chegamos a um entroncamento que se virássemos à esquerda subíamos até ao Pico da Areia, mas felizmente, para nós, viramos à direita e começamos a descer para mais à frente entrar por breves momentos numa via de cimento que nos levaria às escadas épicas, passamos por um túnel de escoamento de águas em cimento e no final as famosas escadas épicas e que escadas estas! Das escadas chegamos à Praia dos Trinta Reis, passamos pela Estrada Regional para tornar a caminhar na areia, mas feita na praia de Água d’Alto, mais à frente entramos no jardim do hotel onde havia um posto de abastecimento. Daqui caminhamos mais um pouco pela Estrada Regional e de seguida viramos para chegar ao Lugar da Praia onde percorremos o trilho oficial das 4 Fábricas da Luz e toca a subir um monte de degraus para as pernas não ficarem mal habituadas. Passamos o tanque de Água d’Alto, entramos no Caminho dos Escoteiros e a partir daqui acabaram-se os degraus e as subidas épicas para felicidade da minha irmã. Do caminho de cimento, viramos à esquerda e assim entramos num de terra batida onde começamos a encontrar os participantes do EPIC vertente 60km. Esta via levou-nos a atravessar uma ribeira. Após a ribeira o percurso era novamente a subir, mas a subida foi pouca coisa comparando com as anteriores e do nada, por assim dizer, estávamos outra vez em terreno plano e passando por entre muitas pastagens com a lama sempre a fazer companhia, penso que as pessoas a partir dum certo momento deixaram de se preocupar com a lama já se haviam acostumado a ela. Nesta zona começamos a ter uma vista muito bonita sobre Água d’Alto e o ilhéu de Vila Franca, mais à frente e para que a pessoa não chegar à meta com os pés muito sujos atravessamos outra ribeira, que corria a bom correr. Daqui o caminho foi todo feito em piso de cimento e praticamente todo a descer. E quando a minha irmã pensava que já se tinha livrado das subidas eis que a organização ainda reservava mais uma surpresa, mais uma subidinha que levava a uma zona de plantação de bananas, passando este local do último esforço já se começava a ver a meta, descemos com vontade, passamos a zona industrial, a rotunda, atravessamos a estrada e por fim contornamos o Azores Arena entrando neste edifício por uma porta traseira que nos levou a cortar a meta.

Pormenor do caminho na zona das Pedras Brancas

Senti-me “épictástica” por ter cortado a meta e mais épica fiquei, quando a minha irmã uns segundos depois chegou também ao final, sabe como me deixar sempre orgulhosa por ser assim resiliente e lutadora. Quem também esteve épico foi o tempo que apesar das previsões de chuva não se concretizaram, pelo menos nós não apanhamos chuvada, mas penso que nem todos os participantes tiveram a mesma sorte.

Para finalizar quero deixar uma palavra de apreço e agradecimento à organização e a todos os que de alguma forma contribuíram para o sucesso desta edição Epic Trail Run Azores e felicitar todos os que participaram. Um bem-haja e boas caminhadas!

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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