Dia 15 de agosto feriado nacional dedicado à Assunção de Nossa Senhora e dia de ir participar no Morião Trail vertente caminhada, esta que era a primeira edição desta prova de trail Run.
O dia prometia ser mais um de calor escaldante, mas para nossa sorte a prova iria passar nas zonas altas e ainda bem que assim foi, porque acabamos por apanhar com algum fresquinho. A vertente caminhada teve início e final na Zona de Lazer da Mata da Esperança.
Às 9 horas e alguns minutos foi dado o sinal de partida e eu já me tinha feito à ideia de ser a vassoura, mas digo-vos, desde já, que não consegui usurpar o lugar aos dois vassouras, que sempre que eu parava para tirar fotos eles também paravam para esperar por mim, eram tão zelosos do seu papel de vassouras que a certo ponto comecei a pensar que estavam destinados a ser os meus guarda-costas nesta prova (risos).

Após o sinal de partida, a prova arrancou e os caminhantes pareciam que iam levantar voo saíram num ritmo fortíssimo, eu cá por mim já tinha decidido que iria realizar o percurso a um ritmo mais lento para apreciar todas as zonas por onde iria passar com calma e olhos de ver, já que o trajeto comtemplava zonas que não conhecia, por isso deixei-os avançar, inclusive a minha companhia, a Menina da Ilha Rainha, e segui ao meu ritmo, mas tendo sempre em mente que tinha um limite de quatro horas para cumprir a prova, caso contrário, seria desclassificada.
Seguindo as indicações, entrei num caminho de bagacina vermelha para mais à frente virar à esquerda e ziguezaguear por entre uma mata de criptomérias, que mais parecia um lugar encantado, onde a qualquer momento poderia encontrar uma fada ou um ogre. No final da mata, pulamos um muro de pedra, atravessamos uma estrada de asfalto e entramos numa zona onde ao longe viam-se máquinas, daquilo que parecia ser uma exploração pedreira desativa, o caminho era ladeado por urze bem alta. A dada altura deixamos de ver as máquinas e passamos a contemplar os montes e num deles via-se a pequena Ermida de São João, mais à frente passamos junto ao Reservatório de Água do Cabrito, que é uma lagoa artificial para abastecimento do sector agropecuário desta zona. No final desta lagoa chegamos, outra vez, à estrada de asfalto, a qual subimos para mais acima viramos à esquerda e entrarmos numa zona de captação de águas da Furna d’Água e aqui talvez tenha sido, para alguns, a zona mais difícil da prova visto que o trajeto começou a subir rumo ao Trilho Oficial Passagem das Bestas, sobre esta parte da prova não me vou alongar porque já escrevi sobre este trilho, mas digo-vos poderia fazer este percurso mil vezes e nunca me fartaria de ver as relheiras, são tão bonitas. Devo referir que foi nesta zona da prova que comecei a ser ultrapassada pelos concorrentes das vertentes mais longas (15 km e 25 km). Percorremos, quase na sua totalidade, o trilho para no final sairmos do traçado oficial virando à esquerda num local que indicava caminho errado do trilho oficial. Aqui passamos por uma vacaria, quer dizer penso que fosse uma vacaria, porque vi uma máquina de ordenha e daqui chegamos, uma vez mais, à estrada de asfalto, a qual percorremos por largos metros para mais à frente viramos à direita e entramos num caminho de terra ladeado por vegetação mais rasteira e foi aqui que encontramos o Posto de abastecimento, onde aproveitei para beber um copo de água na companhia da Menina da ilha rainha já que há alguns metros largos atrás a tinha apanhado e estava decidida a não perder mais a sua companhia. Após esta pequenina paragem, prosseguimos, o caminho deste ponto para a frente não apresentava nenhuma dificuldade, pensava eu, pois tinha visto o ficheiro GPX que havia sido disponibilizado pela organização e sabia que seria sempre a descer, mas ainda iria viver uma pequena peripécia para mais tarde recordar e rir, sobre este assunto falarei mais à frente, por ora, o caminho apresentava-se bem marcado e limpo não havia que enganar, descemos e conforme fomos descendo a vegetação foi ficando mais alta, muitos fetos, conteiras, alguma urze à mistura e algumas árvores. Olhando em frente via-se a Serra do Cume com as suas eólicas. Este caminho levou a que tivéssemos de pular um muro e chegar a uma clareira, na qual andamos por alguns minutos, à nossa frente a vista não poderia ser mais deslumbrante, a sempre bonita Serra do Cume, que já nos vinha a acompanhar há bastante tempo. No fim da clareira viramos à direita, pulamos mais um muro de pedra, que nos levou a caminhar num pasto onde vimos algum lixo, restos de material de construção, telhas e cimento, até parecia já ter existido algum tipo de estrutura construída pelo Homem. Um pouco mais adiante, começamos a ver a traseira da Ermida da Mato a competir com a Serra do Cume com a sua beleza e foi aqui que aconteceu a nossa peripécia, seguíamos copiosamente as marcações para não sairmos do caminho certo, no entanto, uma marcação que indicava ser necessário fazer um desvio à direita estava mais escondida e como não demos por ela seguimos em frente, andamos uns longos metros no caminho errado e a certa altura, como deixamos de ver as sinalizações de marcação do percurso, apercebemo-nos que aquele não era o trajeto correto, pelo que voltamos à última fita que havíamos visto e foi nesta altura que comecei a ver os participantes a seguir por um caminho mais para cima e lá fomos nós atrás deles.

O resto do trail estava destinado a ser feito tranquilamente, feliz e bem acompanhada, ao voltarmos para o caminho certo e a uma zona de clareira, a partir de certo ponto começamos a encontrar algum lixo, ferros, cimentos, entre outros, começo a pensar para mim que deveríamos estar perto de alguma estrutura feita pelo homem, já que o ser humano é o único ser vivo que por onde passa deixa marca da sua existência. No final desta clareira pulamos uns blocos de cimento e confirmei que os meus pensamentos estavam certos, pois entramos no espaço da exploração pedreira que havíamos visto ao longe no início da caminhada e agora que estávamos a passar perto dava para ver que estava mesmo desativada, uma vez que vimos carros abandonados, tubos, as janelas dos edifícios estavam abertas e o único sinal de vida era um cãozinho de pelo branco que ladrava amedrontado aos participantes que passavam em frente aos edifícios. No final desta paisagem desoladora, tornamos a pular uns blocos de cimento para chegarmos a uma estrada de asfalto, na qual andamos por uns segundos para mais à frente viramos à esquerda e entrar num caminho de terra batida ladeado por frondosas árvores e por aqui caminhamos por longos metros. Este trajeto foi dar a uma zona de pastagem e foi aqui que viramos à direita para continuar a caminhar em terra batida. Esta via era ladeada por um muro de pedra solta à esquerda e criptomérias à direita, ao fundo o gingal não deixava ninguém indiferente à sua beleza. A partir daqui sabíamos que estávamos muito perto do fim, porque após algum tempo chegamos à “estrada do vaquedo” que corre paralela à Via Vitorino Nemésio e num ápice estávamos a entrar na Zona de Lazer da Mata da Esperança, onde cortamos a meta e recebemos a nossa medalha de finisher. À nossa espera um verdadeiro banquete real, oferta da junta de freguesia, que neste dia havia inaugurado o novo parque de estacionamento.
E assim se cumpriu mais uma prova, desta vez quiseram os deuses do tempo agraciar os participantes com tempo ameno, ideal para caminhar e para quem, como eu, também gosta de fazer alguns registos fotográficos. O trajeto da prova na vertente caminhada estava muito bem conseguido e acessível a todas as idades. Passou por paisagens muito bonitas e locais que no dia a dia não devem ser permitidos passar, como por exemplo a paisagem desoladora da exploração pedreira. Eu como sempre sou a mais sortuda já que sou agraciada pela companhia da Menina da Ilha Rainha que me deixa sempre à vontade para que faça a prova ao meu ritmo.
Estes finais de texto sobre provas são sempre muito iguais, mas é preciso deixar sempre um agradecimento e palavras de incentivo para que quem organiza este tipo de prova continue a promovê-las. Assim, quero deixar uma palavra de apreço e agradecimento à organização e a todos os que de alguma forma contribuíram para o sucesso desta primeira edição do Morião Trail e felicitar todos os que participaram.

Por último, mas não menos importante, até por que para mim é a parte fundamental e que me leva a participar nestas provas realizadas na ilha Terceira, a minha companheira, a Menina da Ilha Rainha que nunca vê nos meus desafios nenhum entrave, antes pelo contrário aceita todos com alegria e tranquilidade, superando todos com mérito e distinção, deixando-me sempre e cada vez mais orgulhosa dos seus feitos. Muito obrigada!!! Um bem-haja e boas caminhadas!!!
Galeria das fotografias legendadas: Aqui