Último dia de estadia na ilha Branca (Graciosa) e o tempo teimava em não desapontar, mais um lindo dia de sol!
Hoje, e para relaxar as pernas do abuso dos dias anteriores, decidimos ir meter os pés no Trilho Oficial Baía da Folga (PR03 GRA). Iniciamos a caminhada na Rua da Igreja, junto à Igreja de Nossa Senhora da Luz. Este templo foi benzido em 1738, mas a sua construção só acabou no ano de 1745, foi construído para substituir a primitiva ermida do século XVI que havia sido destruída pelas crises sísmicas de 1717 e 1730, este último evento deixou a igreja em ruínas, mas mesmo a ermida estando destruída continuou-se a rezar missa até 1737. O atual templo, e dado que esta zona da ilha está sujeita a crises sismológicas violentas, já foi reparado diversas vezes, a última da quais depois do terramoto de 1980.
Deixamos a igreja e seguimos rumo ao Largo 1.º de dezembro e aqui viramos rumo à Rua Doutor José Conde, Professor de Oncologia, onde encetamos uma descida. A certa altura nesta rua viramos à direita e entramos num caminho de terra batida que corria por entre pastos, terras de cultivo e currais de vinha, em muitos destes currais viam-se as uvas a medrar, mas por entre as uvas muita erva daninha pelo que deduzi que deviam estar ao abandono. É pena que assim se encontrem os referidos currais, pois esta zona, em tempos, foi famosa pelo seu vinho. Ao longe, a agraciar a linha do horizonte as ilhas de São Jorge, Pico e Faial, que junto com a Ponta Branca davam um certo encanto ao caminho. A caminhada corria de feição, o percurso era plano, a companhia trazia alegria e tranquilidade, aqui e acolá viam-se algumas casas e adegas em ruína. Estas adegas testemunham a importância que a viticultura teve durante muitos anos nesta localidade. Nos pastos, gatos assilvestrados que quando nos viam e para grande tristeza da minha companhia fugiam. Num destes pastos um rebanho de cabras, a Menina da Ilha Rainha bem que se fez ao piso para lhes fazer umas festinhas, mas quando reparou que havia um fio eletrificado desistiu da sua intenção, não fossem as cabras levar um choque.

Mais à frente, começamos a caminhar junto à costa, passamos por um troço onde o junco era dono e senhor do pedaço, não faltaram umas picadelas para animar ainda mais a caminhada (risos). No chão, o Chorão, o Bracel da Rocha e o Cubre ladrilhavam o caminho, brotando por entre a rocha negra de basalto. Ao longe, começava-se a ver umas casinhas muito pitorescas que até pareciam ter acabado de sair dum presépio e, mais à frente, o pequeno Porto de Pescas da Folga. Este porto foi, até à construção do Porto da Vila da Praia, um dos principais portos piscatórios da ilha Graciosa, uma vez que permitia um fácil acesso à ilha, para além da pesca este local também era usado para o escoamento da uva que era cultivada nas imediações. Esta uva era usada na produção de vinho que graças às características do terreno e ao clima quente e seco da ilha tinha qualidade a ter em conta. Neste porto ainda existem um conjunto de instalações industriais de apoio à pesca.
Antes de chegarmos ao porto ainda houve tempo para a Menina da Ilha Rainha aumentar os seus níveis de felicidade, encontramos dois gatinhos que ao contrário dos que havíamos visto na zona das vinhas eram mansos e deixaram fazer festinhas. Para seu contentamento os gatinhos vieram comer da ração que ela havia levado na mochila. No final, enquanto fazia uma última festinha reparou que os gatos tinham a orelha cortada, sinal de que eram esterilizados pelo que me disse deviam pertencer a alguma colónia. Deixamos os gatinhos e seguimos rumo ao porto. Este porto está aninhado numa encosta de tufo da Baia da Folga, reparei que havia um caminho calcorreado na encosta e claro movida pela curiosidade tive que o ir espreitar, levou-me ao Farolim da Folga. Este farolim serve de ponto de orientação aos diversos tipos de embarcações que procuram abrigo nesta baía. Tem 5 metros de altura, 31 metros da altitude e a sua luz branca tem um alcance de 4 milhas.
Enquanto subia a encosta rumo ao farolim de onde se pode observar um cenário muito bonito para o mar e para a costa destacando-se a Ponta Branca e a Serra Branca, deixei de ver a Menina da Ilha Rainha que já se tinha escapado para ir espreitar o porto para ver se dava para ir aos banhos, por certo na outra encarnação deve ter sido algum ser marinho, pois tem uma admiração e um respeito muito grande pelo mar.

Após absorvermos a paz que se vivia neste local, onde o único som que se fazia ouvir era o mar, que neste dia estava límpido e calmo, iniciamos a nossa subida rumo à freguesia da Luz, onde tínhamos estacionado o carro, decidimos fazer o trilho circular pelo que subimos a Rua da Folga, passamos junto à singela Ermida de Santo António da Folga, construída nos finais do século XIX.
Esta rua levou-nos à Estrada Regional, a qual percorremos por longos metros, pelo caminho fizemos uma paragem na Zona de Lazer e Miradouro da Ponta Branca inaugurada em 2016, o sol estava escaldante pelo que decidimos aproveitar a sombra dos Plátanos para nos refrescar. Após sentirmo-nos mais frescas arrancamos e para alegrar o dia encontramos mais um gatinho que também foi alimentado com o resto da ração que a Menina da Ilha Rainha levava, orgulhosamente, na sua mochila. Mais à frente, passamos pela Rua Pedro Roberto onde vimos a Escola Básica 1 e Jardim de infância da Luz e o edifício da Filarmónica União Popular Luzense. Esta filarmónica foi fundada a 27 de março de 1938 e como muitas outras filarmónicas da ilha Graciosa nasce como forma de mostrar o gosto dos graciosenses pela música.
A caminhada seguia ligeirinha e num ápice estávamos outra vez no centro da freguesia da Luz onde alcançávamos novamente o Largo 1.º de Dezembro. Nesta segunda passagem, reparo que há um grande fontanário, não sei como não reparei nele da primeira vez, que é bem bonito e um pouco mais à frente um triatro da Irmandade do Divino Espírito Santo da Luz, o qual tem uma cartela no frontispício com a data de 1928 e uns passos mais adiante o nosso carro onde demos por terminada esta bonita caminhada.

E foi envoltas de boa energia, com paz, tranquilidade e alergia, sentimentos que têm pautado sempre as nossas caminhadas, que encerramos a nossa passagem pela pequena, mas bonita e pacífica ilha Graciosa, à qual espero voltar muito em breve, uma vez que ainda ficaram muitos quilómetros por trilhar! Até breve! Um bem-haja e boas caminhadas!!!
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