Estamos no mês de fevereiro, do ano da graça de 2025, pleno inverno na ilha lilás e nós, tal qual as crianças no natal, só que não queríamos presentes, mas ir ver cascatas e pela primeira vez na minha vida pedi às forças poderosas do universo para mandarem cair chuva na noite de sábado para domingo na ilha onde reside a cidade património mundial da Unesco, uma vez que as cascatas na Terceira não correm o ano inteiro, só as do Parque das Frechas em Agualva são permanentes, as restantes só correm quando chove muito. Felizmente vi o meu pedido ser atendido já que choveu que consolou toda a santa noite.
Para a nossa missão secreta e porque estávamos a querer agilizar o processo saltando a parte das explorações e pesquisas para aproveitarmos as chuvadas que haviam assolado a ilha tínhamos que arranjar um chefe de missão que já conhecesse o caminho para as cascatas. Após algumas horas a pesquisar apareceu-nos como candidata a líder a Terceira Tours, algumas mensagens trocadas e ficou tudo tratado sem complicações. Assim, neste dia não haveria explorações como tanto gostamos de fazer, iríamos ter um “chefe de missão”, o qual teríamos de seguir comportadas, sem andarmos a fazer desvios nos caminhos e sem sermos rebeldes. Tivemos sorte, o senhor Ivo Silva, o nosso chefe neste dia, era uma pessoa muito simpática, paciente e, acima de tudo, muito gentil, que fez com que a nossa missão fosse tranquila, muito alegre e sempre ao nosso ritmo, já que nos deixava ficar o tempo que quiséssemos nos locais.

Os sinos da torre sineira da Igreja da Misericórdia replicavam as 9 horas da manhã e chegava o nosso chefe num SUV preto, até parecia ser um daqueles carros saídos do filme “Man in Black”. Senti-me logo uma agente secreta que iria estar numa missão quase impossível, uma vez que ao chegar fomos informadas pelo Sr. Ivo que não tinha a certeza se iríamos conseguir ver cascatas, uma vez que não havia chovido muito na noite anterior e eu a pensar que as forças poderosas tinham enviado trombas de chuva que tivessem enchido as ribeiras até transbordarem, mas a realidade é que nunca perdi a esperança de que íamos ver quedas de água neste dia, pelo contrário, mantive o pensamento positivo. Entramos no carro e seguimos viagem, o nosso chefe de missão guiava e mantinha uma conversa supertranquila e agradável sobre as cascatas, a meio da conversa perguntou-nos se já conhecíamos as cascatas do Parque das Frechas, nós dissemos que sim e com esta resposta a nossa missão seguiu, mas para outra direção fomos para a zona da Lagoa da Falca e foi nas muitas canadas que aqui existem que vimos cascatas deslumbrantes e mágicas. Pena mesmo é estas cascatas só correrem quando chove muito. No entanto, como têm este senão faz com que sejam místicas.
A nossa missão começou a subirmos por entre matas encantadas de Criptomérias para irmos ver as cascatas e nós íamos na expectativa e ao mesmo tempo entusiasmadas a imaginar como seriam as cascatas, seriam altas ou baixas, teriam caudal ou não. Eu, atenta a tudo que me rodeava começo a ouvir ao longe o som de água a cair e tal som anunciava que o presságio de que poderíamos não ver quedas de água estava errado e que iríamos ver sim as mesmas. O nosso chefe era um homem sábio levou-nos aos sítios certos e eu que adoro cascatas a cada uma que visitávamos ficava abismada com a tamanha beleza!

A manhã passou agraciada pelo sol que parecia querer tornar o dia ainda mais especial e para acabar em grande a nossa missão nada como repor a energia com uma prova os queijos que são produzidos na ilha Terceira, mais uma gentileza do nosso chefe de missão a quem deixamos uma palavra de apreço.
O que dizer da nossa missão? Parecia que ia ser uma missão impossível, mas acabou por ser cumprida com sucesso ou não tivéssemos nós conseguido ver lindas cascatas. Nesta manhã estávamos como Auguste Rodin quando um dia disse: “A arte é a contemplação; é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que a natureza também tem alma.”. Neste dia fomos abençoadas já que contemplamos a alma da natureza, a qual corria através da magnificência das cascatas. Um bem-haja e boas caminhadas!
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