Vila do Nordeste – Cancela do Cinzeiro
Mês de março, início da primavera, e mais um domingo de sol que desta feita decidiu abrilhantar o dia na companhia do seu amigo vento criando assim as condições ideais para caminhar. Na escolha do caminho a percorrer é que não houve dúvidas ir fazer a primeira etapa “Pelos Limites do Concelho de Nordeste”, já que não nos conseguimos juntar ao grupo na data certa por não haver mais vagas. Estacionamos o carro no parque de estacionamento junto à Igreja Paroquial de Nordeste dedicada a São Jorge. A atual fachada deste monumento é do século XVIII, mas a primeira edificação a ser construída neste local data de 1522. Subimos a Rua de São Jorge, passamos junto à igreja e viramos à esquerda para a Rua António Alves Oliveira, na bifurcação seguimos para a Rua Padre José Pacheco do Monte, que nos levou a encontrar uma rotunda, na qual saímos na primeira saída onde a caminhada prosseguiu por largos metros na Estrada Regional. Aqui passamos pelo miradouro do Farol do Arnel e pela Ermida de Nossa Senhora da Nazaré, mais à frente passamos por uma ermida abandonada e pelo miradouro da Vista dos Barcos. Neste ponto, deixamos de caminhar pela estrada, entrando num pasto que nos levou ao Caminho do Moio, no final deste atravessamos a Estrada Regional e caminhamos por uns momentos pela antiga estrada regional, onde passamos pelo Miradouro da Pedreira. Este miradouro oferece uma vista privilegiada sobre o alinhamento das casas com o Lombo Gordo, onde se destaca a igreja em posição central. De referir que este lugar da Pedreira era em tempos idos um imenso campo de arvoredos denso, foi daqui que retiraram a rocha para construir muitos edifícios da Vila de Nordeste daí a toponímia de pedreira. Neste miradouro há uns bancos que parecem molduras e que enquadram a linda paisagem envolvente. Após esta paragem, para apreciar a vista do miradouro, voltamos à estrada regional onde caminhamos uns metros para mais à frente viramos à esquerda e descemos o Caminho da Missa, um caminho íngreme que acaba estreito e em escadas, daqui seguimos para a Rua do Moio e na bifurcação viramos para a Rua Vale do Ribeiro, que nos levou a subir a íngreme Rua da Igreja e a passar pela Igreja Paroquial da Pedreira, cuja devoção é à Nossa Senhora da Luz. A construção deste templo foi inspirada no estilo tardio do barroco. A primeira ermida aqui construída data do século XVIII, mas com o crescer do povoado o templo foi ampliado e remodelado adquirindo o seu atual aspeto em 1872, conforme se pode ver numa cartela que existe na fachada.

Antes de chegarmos à igreja fizemos uma paragem no jardim público do coreto, que foi inaugurado no ano de 1988. Passamos ao lado da igreja pela Rua das Machadas, mas os meus companheiros de viagem fizeram uma paragem para apreciar a linda fachada da igreja. No final da Rua das Machadas entramos no estreito caminho que leva à Fajã do Araújo. Esta é uma Fajã detrítica de depósitos aluvionares. Começamos a descer este caminho estreito, a meio do trajeto atravessamos uma pequena ribeira, que estava seca e continuamos a descer em direção ao mar. Ao longo da descida deparamo-nos com uma vista magnífica sobre a fajã e num ápice estávamos a chegar às primeiras casinhas. No final deste percurso chegamos a um parque de estacionamento e uma vez aqui chegados era hora de começar a subir e aqui sim começou a parte boa para as pernas, já estávamos a pensar que esta primeira etapa era muito fácil só caminho a descer. Subimos o Caminho da Fajã do Araújo, sempre acompanhados pelo som relaxante da Ribeira da Tosquiada, a meio caminho numa das encostas uma Nossa Senhora descansava num nicho, mas lembrava-nos dos perigos constantes de queda de pedras e derrocadas, nós tranquilos subíamos aquele trajeto íngreme ao nosso ritmo e foi neste que aproveitamos uma curva com sombra para repor as energias.
A restante subida levou-nos de volta à Estrada Regional por onde andamos por largos metros, mais à frente um desvio para irmos ao Miradouro da Ponta do Sossego, que para mim é um dos mais bonitos de Nordeste. Este miradouro foi reaberto ao público no ano de 1995, após obras de melhoria. Daqui temos uma vista sobranceira sobre o mar e a costa nascente da ilha com destaque para a Fajã do Araújo, Ponta da Madrugada, Praia do Lombo Gordo e para a Ponta da Marquesa.

Deixamos o miradouro para trás e andamos uns poucos metros novamente na Estrada Regional, mais à frente viramos à esquerda e voltamos às subidas, desta feita a subida levou-nos a percorrer o Caminho da Grota da Cancela, mais acima na bifurcação viramos à direita e entramos num pasto que nos levou até ao fim da pista de downhill, que a avaliar pelo terreno deve estar fechada temporariamente, já que estão a proceder ao abate de árvores ali existente. De referir que já há muito estávamos a caminhar na Zona de Proteção Especial da Pico da vara / Ribeira do Guilherme.
Chegados ao final da pista de downhill entramos no Estradão Florestal, Caminho do Meio, se tivéssemos virado à direita teríamos subido até ao Pico Bartolomeu, mas por hoje as subidas já tinham terminado, o dia já ia longo e com a subida para zonas mais altas o vento começou a ficar frio e desagradável pelo que viramos à esquerda contornamos o Reserva Florestal de Recreio da Cancela do Cinzeiro, assim chamada porque antigamente era a esta zona que vinham queimar lenha para fazer o carvão e como havia sempre muito fumo na zona diziam ser o cinzeiro. Esta ocupa uma área de cerca de 10 hectares, na qual existe uma área dedicada às plantas endémicas, espaços lúdicos, uma zona de churrascos e um tanque que talvez seja a zona mais famosa deste espaço por nele ter a ilha de São Miguel em miniatura.

E do nada já havíamos concluído com distinção a primeira etapa do “Pelos Limites do Concelho de Nordeste” sempre munidos de alegria, boa disposição e muita energia. Agora é aguardar que se tenha feito a inscrição para a segunda etapa dentro do limite das vagas disponíveis e que desta vez tenhamos mais sorte para conseguirmos realizar o percurso no dia previsto. Até lá um bem-haja e boas caminhadas!!!
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