Desafio Vertical

O dia não acordou o mais lindo, mas não chovia e também não estava um sol abrasador pelo que estavam reunidas as condições quase ideais para se cumprir mais uma prova. Assim, rumamos a Água de Pau, para a Zona da Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Anjos, para apanhar os transferes para os Remédios da Lagoa, já que a partida do Desafio Vertical, vertente caminhada estava agendada para as 10 horas junto à Casa da Água. Esta casa está instalada num antigo posto de leite recuperado e adaptado a espaço informativo de caráter turístico que apoia atividades de montanha e de sensibilização ambiental. Dando apoio a todos os caminhantes que queiram fazer os trilhos homologados da Rota da Água do concelho da Lagoa.

Às 10h, mais coisa, menos coisa, deu-se o sinal de partida e os cerca de 100 participantes, cada um ao seu ritmo, arrancaram para cumprir o trajeto de cerca de 9 km, eu desta vez decidi inventar caminho a meio da prova pelo que o meu trajeto teve pelo menos mais um quilómetro e uns metros, mas esta parte conto-vos mais à frente, por ora falo-vos da primeira parte do trajeto a que fui seguindo as marcações. 

A prova levou-nos a percorrer parte da estrada secundária que liga a Lagoa a Água de Pau e seguindo a sinalização viramos à esquerda para um caminho de terra batida ladeado por pastos e que se olharmos para trás temos uma vista fantástica sobre o oceano Atlântico banhando Lagoa e Ponta Delgada. Mais acima, seguindo a sinalização, a prova entrou num pasto onde tivemos que atravessar uma pequena ponte de arco e mais à frente a prova levou-nos a transpor umas escadas, as quais atravessam uma ribeira, que neste dia estava seca. Uns metros mais à frente passamos junto à entrada dum antigo túnel que fazia parte do antigo aqueduto que no passado levava a água até à fábrica do álcool e que na atualidade faz parte do abastecimento público da água do concelho da lagoa. Infelizmente não percorremos o túnel passamos antes por cima dele e ao transpormos o mesmo a paisagem transfigurou-se da paisagem de céu aberto e pastagens passamos para uma linda floresta verdejante.  Aqui o caminho era de terra que em algumas partes estava feito lama, começamos a ver aqui e acolá os antigos tubos de barro onde em outros tempos corriam as águas que abasteciam a fábrica do álcool. À direita do caminho que tínhamos que percorrer a Ribeira Seca ia fazendo companhia silenciosa, no ar ecoava o som dos passarinhos que alegres faziam a sua vida, eu seguia distraída com as fotos passando por um arco, onde após o ter transposto virei à direita, subi umas escadas e no cimo destas, encontrei uma casa de apoio à captação da água, virei na direção oposta à casa e prossegui caminhado por entre aquela floresta que nos ia protegendo do Sol que, no entretanto, havia saído de casa para abrilhantar a prova. 

Janela do Inferno

Eu seguia feliz e contente percorrendo o trajeto da prova quando dou por mim a abrandar o passo porque um grupo de amigos havia decidido marcar fazer o trilho oficial da Janela do Inferno neste dia e digo-vos que não achei muito cordial que marcassem a realização de um trilho para o mesmo dia em que se realizava este trail. Tive de andar a pedir licença para ultrapassar e ainda tive que ouvir comentários desagradáveis do tipo “isto não é caminhar”. Fiquei inquieta para responder de forma desagradável, mas decidi que nada ia estragar a minha boa disposição já que não tinha culpa de não estar a passeio como eles. Quem me conhece sabe que quando caminho gosto também de ir apreciando a paisagem parando e fotografando, mas como ia na prova claro que caminhava num passo de mais rápido. Pensava que a organização tinha acautelado estas situações e que enquanto houvesse a prova a decorrer não iriam permitir que passassem de grupos no trilho, isto não aconteceu e tal como eu mais pessoas devem ter visto a sua prova abrandar porque não conseguiam ultrapassar o grupo.

Grupo ultrapassado, voltei ao meu ritmo chegando ao ex-libris deste trilho, a sempre misteriosa Janela do Inferno. Esta janela é uma parede vertical alta com nascentes no seu interior e que tem uma cavidade que foi criada pela erosão da água. É impossível passar por aqui e não tirar uma foto e eu claro puxei da máquina que me ia distraindo da prova para tirar a foto da praxe. Após a foto, desço as escadas, passo pelo pequeno charco que tem na base da cascata, mas hoje não há direito a paragem para ver os tritões, já que não havia tempo a perder. Deixo para trás a janela e prossigo a minha caminhada em passo apertado passando pelos arcos dos aquedutos e uma casa de captação de água, mais à frente na bifurcação, viro à esquerda e início uma pequena subida, fazendo este desvio, entro no trilho oficial Entre Túneis e Condutas. No cimo desta subida há um posto de abastecimento onde paro para beber um copo de água e uma banana. 

Pormenor do trajeto

Sigo a bom ritmo passando por um pasto, onde ao longe as vacas vão olhando curiosas para nós, deviam estar a pensar este trilho hoje está concorrido tanta gente!!! Do pasto entro novamente numa linda floresta cheia de sombra, o fresco soube tão bem. Pelo caminho transponho umas escadas, que me levam a uma nova subidinha, que me levou a passar por um antigo tanque rodeado de lindos plátanos, aqui faço um desvio para ir tirar uma foto. Nesta parte do trajeto a prova volta a entrar numa zona de pasto, lá ao longe já se começava a ver a Serra de Água de Pau e os corredores de outras distâncias, eu distraída com aquele cenário bonito para tirar fotos puxo da minha máquina e começo a disparar umas fotografias, no meio dos enquadramentos com mais zoom ou menos zoom chego a um cruzamento, enganada pelos corredores viro à direita, quando devia ter seguido em frente e é aqui que começa a minha aventura de inventar quilómetros à prova já que enceto a descida, mas após andar uns metros longos começo a reparar que deixei de ver indicações  e percebo que estou no caminho errado, começo a pensar porque fui eu seguir os corredores. Agora já não havia nada a fazer a não ser voltar para trás até ao local onde havia visto a última marcação e assim foi voltei para trás, mas de referir que se tivesse continuado a descer também chegava a Água de Pau, mas não pelo caminho delineado pela organização da prova. Já no sítio onde havia visto a última marcação retomo a prova passando por um pasto com vista soberba sobre a costa sul e o mar. 

Mais à frente entro novamente numa mata que vai alternando entre zonas sombrias e zonas de céu aberto. Esta mata, por entre Criptomérias, Faias-da-Terra e derrocadas, levou-me a serpentear na encosta do Vulcão do Fogo, transponho algumas pontes de arco e em algumas zonas saindo do chão, tal qual raízes de árvores, a tubagem de barro que em outros tempos conduziam a água à fábrica do álcool. A mata acabou num caminho íngreme de pedra pomes que tive de descer. Foi aqui que reencontrei a minha irmã, que sempre a surpreender-me com a sua boa energia, ia a bom ritmo cumprindo a sua prova, meti-me com ela para nos rirmos um pouco da minha aventura “perdida na Serra de Água de Pau” e avancei chegando a um caminho de cimento onde por uns largos metros percorri a correr, uma vez que era muito íngreme para o fazer a caminhar. O meu corpo pedia-me para correr, já que a passo normal parecia que se tropeçasse ia rebolar caminho abaixo pelo que acabei por fazer a vontade ao corpo. Mais à frente e seguindo as indicações virei à esquerda, entrando novamente numa mata cujo caminho era sempre a descer por entre Criptomérias, Faias-da-Terra e em algumas zonas passei por bambu, mas aqui tive que travar o meu corpo porque a inclinação era demasiada, sentia que se por alguma razão escorregasse ia mais depressa ver a casa de captação de água e o aqueduto que se encontravam no final deste caminho. Daqui a prova andou mais uns metros por entre esta mata e por fim uma última descida para chegar à Rua do Paul para entrar na reta final da prova que acabava junto ao Polidesportivo de Água de Pau, onde cortei a meta feliz e contente por ter aumentado o número de quilómetros. Hummm… a pensar que se calhar vou criar a tradição de inventar caminhos nas próximas provas (risos). Uns minutos mais tarde, a minha irmã também chegou toda feliz, eu claro mais orgulhosa da minha irmã era impossível. Deu-lhe um grande abraço e felicitei-a por mais uma prova terminada com determinação e garra. 

Pormenor do trajeto

E assim se cumpriu mais uma prova com um trajeto muito convidativo a desfrutar das lindas paisagens com que somos brindados todo o trajeto e que neste dia ficaram deliciosamente mais apetecíveis porque o tempo estava convidativo a atividades fora de portas! Um bem-haja à organização! Boas caminhadas!

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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