Azores Bravos Trail: O Desafio da Ilha Rainha

Dia 4 de outubro de 2025 acordou nublado e para nós que íamos participar na vertente caminhada do Azores Bravos Trail era promissor, uma vez que caminhar com sol forte é muito desgastante. Saímos de casa cedo e como o transfer era pertinho, decidimos fazer um aquecimento e fomos a pé. Chegadas ao Bailão ainda tivemos que esperar um pouco para apanhar o transporte que nos levaria até à Igreja Paroquial do Posto Santo, dedicada a Nossa Senhora de Penha de França, a primeira pedra para a construção deste templo foi lançada no remoto dia 18 de junho de 1911 e a 8 de maio de 1924 foi inaugurada oficialmente. Já no ponto de partida e enquanto esperávamos pelo começo da prova, decidi ir explorar as redondezas da igreja, uma vez que não conhecia esta zona do Posto Santo e nas imediações deste templo existe uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Panha, segundo a informação que consta de um azulejo na sua parede a mesma foi erigida no século XVII. 

A primeira subida

Às 11h15 davam o sinal de partida para a caminhada e imaginem vocês qual foi o sinal usado? Quem pensou numa roqueira adivinhou. Até parecia fosse uma largada de touros e, assim, seguimos tranquilas pela estrada de asfalto por alguns muitos metros, mais à frente viramos à direita e começamos a subir um caminho de terra batida, o qual via-se que havia sido limpo recentemente. No cimo da subida vimos alguns patos, perus e uma galinha que havia fugido e andava à solta bicando os campos. Nesta zona viramos à direita e andamos como a galinha a ziguezaguear por entre os pastos que eram divididos por lindos muros de pedra. Seguíamos as marcações que nos levaram a entrar numa linda mata de criptomérias e a mais uma zona de subida. Ao entrarmos nesta mata disse à Menina da Ilha Rainha que íamos passar pelo Complexo Megalítico da Grota do Medo do Posto Santo. A passagem por este local era uma estreia para a Menina da Ilha Rainha que não conhecia para mim seria mais uma oportunidade para observar as construções de pedra que me deixam sempre a pensar já que são suspeitas e lembram mesmo dolmens, mas desta vez não me irei pronunciar e não irei partilhar os meus pensamentos, vou deixar o estudo deste local para especialistas. A maioria das pessoas passou pelas construções sem fazer o devido desvio para as ver e mesmo existindo um sinal a indicar uma zona de fotografia os participantes não se dão conta da importância deste sítio e seguem apressados, mas como conhecia a zona disse à Menina da Ilha Rainha para fazermos o desvio para tirar uma foto e ela ver a estrutura. Após ver a estrutura a Menina da Ilha Rainha segue com a sua caminhada para não perder mais tempo e eu deixo-me ficar a fotografar o local. Quando me sinto satisfeita com as fotos deixo a edificação descansar a sua beleza e sigo caminho, mais à frente nova paragem passo pelas duas pias que estão junto a uma ruína de uma casa de pedra e paro novamente para tirar umas fotos. E nisto dou conta que já tinha perdido imenso tempo pelo que começo a correr para alcançar a minha companheira que já estava cá em baixo quase no início da mata. Aproveitei para lhe ir indicando outras estruturas. Ao chegarmos ao caminho de terra batida reparamos que nas árvores haviam uns sinais a dizer que a zona é privada e que para se entrar tem de se ir na companhia de guias turísticos autorizados. No fim da mata chegamos a um caminho de bagacina, passamos um portão que nos levou novamente a uma estrada de asfalto, a qual descemos. De referir que ao chegarmos à estrada começo a dizer à Menina da Ilha Rainha para seguir para os passeios, pois estava a decorrer uma prova, mas os carros continuavam a passar normalmente, coisa estranha. Já na segurança dos passeios passamos por uma casa onde apanhamos um susto, os patudos guardiães da casa começaram a ladrar dando sinal da sua existência e prosseguimos pela estrada de asfalto para uns metros mais à frente num entroncamento viramos à esquerda, aqui apanhamos um monte de carros, a estrada principal está em obras pelo que os veículos automóveis tinham de realizar um desvio. A estrada de asfalto deu lugar a um caminho de terra batida, ladeado por conteiras, que nos levou, novamente, a subir, uns metros mais à frente viramos à esquerda e entramos nuns pastos. No fim dos pastos voltamos a um caminho de terra batida ladeado, novamente, por conteiras, mais à frente chegamos a um caminho ladrilhado por pedra ladeado por pedras estratificadas. 

Saída do Complexo Megalítico do Posto Santo

E por entre imensa alegria e boa disposição continuávamos a nossa subida, o caminho passou a ser acompanhado por muros de pedra e passamos por uma zona muito bonita que fazia lembrar a Alameda dos Plátanos na Povoação. No fim desta alameda passamos por uma zona onde via-se que andavam a cortar as árvores. Após mais uma pequena subida era hora da caminhada se separar da vertente dos 15km, estes iam continuar a subir e nós viramos à esquerda para uma zona de pastos, aqui por entre leves subidas e descidas íamos vendo nos pastos alguns tanques de retenção das águas da chuva. Caminhamos entre pastos largos metros até que chegamos novamente a um caminho de terra batida ladeado por conteiras. Nesta zona começamos a descer rumo à cidade património da UNESCO, Angra do Heroísmo, mas antes de lá chegarmos ainda fizemos mais uma passagem por pastos, um desvio para passarmos por uma parte do caminho do trilho oficial da Rota da Água e mais à frente por uma pedreira e por um túnel. Depois chegamos a mais uma zona de estrada de asfalto onde quase íamos sendo atropeladas, enfim uma coisa que, tal como já referi, não se percebe como é possível estar a decorrer uma prova a e via estar aberta à livre circulação de veículos. O final estava perto, mas ainda subimos ao Alto da Memória, faço um desvio para ir fotografar a cidade e o sempre glorioso Monte Brasil e a partir daqui iniciamos a descida das escadas que levam ao Jardim Duque de Angra. Saímos do jardim passamos pela Praça Velha e vimos o lindo edifício da Câmara Municipal e seguimos para a Rua Direita, chegamos ao Pátio da Alfândega, vimos o Vasco da Gama e aproveitamos para lhe dizer um olá e, ele aproveitou para nos avisar que era hora de descermos as escadarias, chegadas ao fim das escadas viramos à direita para subirmos uma rampa que nos levou à Estrada Gaspar Corte-Real. Após alguns metros a andar por esta estrada era hora de virar à direita e subirmos mais umas escadas que nos levariam ao Relvão e eu já a pensar que tínhamos acabado a prova, mas só que não, era tempo de passar pelo Gungunhana e nem tivemos oportunidade de lhe dizer um adeus, porque eu já só pensava em passar a meta e ir comer. Nisto dei-me conta que ainda íamos ter tempo para ir visitar a fortaleza, ou seja, esperava-nos mais uma subidinha para animar a malta. Não fazia mal a subida, pois iria aproveitar a passagem pela fortaleza para confirmar se a obra de restauro da Igreja de São João Baptista estava concluída. Passamos junto do monumento da Glorieta, a José Dias, subimos mais um pouco e fomos recebidas pelo mui nobre portão da fortaleza e encaramos a igreja que aparentemente parece já ter as obras concluídas. Era tempo de continuarmos a seguir a sinalização que nos indicava a saída da fortaleza descer um pouco virar à direita e voltar ao relvão para concluirmos a prova. É de referir que vertente caminha foi muito agradável e acessível a todos, gostei muito da prova, apesar de ter muita zona de asfalto, no entanto a parte do percurso que passa pela natureza é muito bonita.

Tanque do Preto

Quem sabe sempre surpreender pela positiva é a Menina da Ilha Rainha, que uma vez mais mostrou que superar-se é o seu nome do meio, fez a prova ligeira e ser leve para si e para mim com a sua agradável companhia e boa energia.

Por fim, quero agradecer a todos os que idealizaram a prova e a tornaram uma realidade! Um bem-haja e boas caminhadas!

Galeria das fotografias legendadas: Em breve


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