Peregrinação Turística Ponta Delgada – Monte da Nossa Senhora da Paz Capitulo II: Lagoa – Vila Franca do Campo

Saindo de Ponta Delgada seguimos caminho rumo ao concelho da Lagoa e a primeira paragem foi na freguesia do Rosário, mais propriamente no lugar da Atalhada que é o termo da cidade da Lagoa. Aqui localiza-se a singela igreja dedicada à Nossa Senhora das Necessidades. Esta igreja atual obteve a sua licença de construção do governador do bispado de Angra, José Maria Bettencourt Vasconcelos, a 20 de maio de 1826 porque segundo o padre João José Tavares “no lugar da primeira (ermida) que estava muito velha e era muito pequena na qual não cabia a terça parte da população daquele lugar, assistindo o povo ao Santo Sacrifício da missa ao rigor do sol e da chuva”. Esta primeira ermida terá sido o primeiro local de culto da Atalhada, sendo um pequeno templo sufragâneo à igreja paroquial de Nossa Senhora do Rosário e conforme refere o padre João José Tavares, a ermida terá sido edificada pelo capitão Domingos Martins de Azevedo e sua mulher Maria Cabral de Melo, ambos moradores na Talhada dos Mastros, toponímia fundadora do lugar da Atalhada.”. Resta referir que no frontispício da atual igreja, mantém-se gravada na pedra a data de 1828, altura em que a igreja já estaria a ser construída, conforme as possibilidades financeiras do seu povo. Ainda na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, parou-se no adro da Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Rosário. Segundo as notas do Padre João José Tavares no seu livro A Vila da Lagoa e o seu Concelho, a primeira igreja foi construída sobre uma antiga ermida do século XVI dedicada a Santa Maria do Rosário da Lagoa, mandada edificar por Álvaro Lopes do Vulcão, no antigo sítio do Porto dos Carneiros, no mesmo sítio onde está hoje a igreja paroquial. Alguns anos mais tarde, por alvará Régio de 5 de Abril de 1593 e carta do bispo D. Manuel de Gouveia, o lugar do Porto dos Carneiros foi elevado à categoria de paróquia, servindo a ermida de igreja paroquial, tornando-se, desta forma, independente da igreja de Santa Cruz. A Igreja atual, data do século XVIII, é um amplo e harmonioso edifício composto por três naves de construção de estilo barroco muito singelo. De referir que esta igreja tem um admirável conjunto escultórico da autoria do Mestre Machado de Castro.

Já na freguesia de Santa Cruz que é a Matriz desta cidade da Lagoa paramos na Ermida de Nossa Senhora do Cabo que também é conhecida por Ermida da Nossa Senhora da Estrela. A Ermida de Nossa Senhora do Cabo foi mandada edificar em 1675 pelo Padre João Alves do Cruz, devido à veneração que este padre tinha à imagem da Senhora que se venera no Cabo do Espichel, na Estremadura, em Portugal Continental. Este edifício evidencia-se pelo seu equilíbrio barroco e pela estrutura simples e proporcionada. Possui uma fachada decorada com relevos basálticos e azulejos policromos, com data de 1678. Outro ponto de passagem nesta freguesia foi o Convento Franciscano ou também conhecido como Convento de Santo António. Este convento teve no ano de 1740 a primeira pedra lançada para a sua construção, mas na realidade a sua construção só começou no ano de 1749 quando D. José Teles Rodrigues da Câmara, patrono do convento, decidiu começar as obras de levantamento do convento e devido a isto na atualidade se pode ver no tímpano do frontispício e no altar-mor da igreja o brasão pertencente à família Câmara. Este convento distingue-se por possuir uma belíssima igreja barroca, profusamente decorada.

De mencionar que ambos os imóveis são classificados como Imóveis de Interesse Público, o primeiro através da Resolução n.º 106/2001, de 2 de Agosto, publicado no Jornal Oficial, I Série, n.º 31 e o segundo através da Resolução n.º 55/2001, de 17 de Maio, publicado no Jornal Oficial, I Série, n.º 20.

Seguimos caminho para Água de Pau pela antiga Estrada Regional, aqui encontrámos um grupo de peregrinos, que vindos da Fajã, também caminhavam em direção a Nossa Senhora da Paz.

Ao longo da Estrada Regional pode-se observar três fontanários, de referir que estes expressam as marcas de um quotidiano rural numa época na qual ainda não existia água canalizada e as antigas populações eram obrigadas, então, a deslocar-se à fonte para se abastecerem de água. Os fontanários constituíam um espaço privilegiado de confraternização, estabelecendo importantes pontos de encontro e comunicação, porque enquanto as pessoas esperavam que a jarra se enchesse aproveitavam para dar “dois dedos” de conversa. O primeiro fontanário tem a seguinte inscrição “J.G. 1952” e daqui temos uma vista soberana da costa sul da ilha de São Miguel onde podemos ver as cidades de Lagoa e Ponta Delgada. No segundo fontanário pode ler-se “J.G. 1930” e no terceiro fontanário, que também inclui um bebedouro (tanque que se destinava a dar de beber aos animais), lê-se “C.M. 1901”.

Chegados a Água de Pau, que é penúltima freguesia do concelho da Lagoa, encontrámos um chafariz no Largo de São Pedro, o qual inclui um bebedouro lê-se as seguintes inscrições “O.P.” a poente e a nascente “1873”, e vimos um fontanário na Praça da República com seguinte inscrição “1838”.

Paragem obrigatória na Igreja Paroquial de Nossa Senhora dos Anjos. Esta igreja também tem um fontanário na escadaria que a antecede. Aproveitámos que estava aberta e entrámos, já conhecia o seu interior, mas nunca é demais apreciar os pormenores. Esta igreja que foi edificada no mesmo local da antiga igreja que também já era dedicada à Nossa Senhora dos Anjos. Esta primeira igreja a construção remonta aos tempos do povoamento desta ilha de São Miguel. Segundo uma lápide que se encontra no interior da igreja este templo data de 1488. Nesta lápide pode ler-se a transcrição de uma carta passada a favor do Frei Estevão, frade da Ordem de Cristo, que foi no mesmo ano, capelão de Santa Maria dos Anjos da vila nova de Água de Pau. Contudo no ano de 1522, a primitiva igreja de Nossa Senhora dos Anjos foi destruída pela erupção vulcânica de Vila Franca do Campo, a sua reconstrução deu-se a 10 de novembro de 1525. O atual frontispício da igreja é em estilo barroco e completou-se em 1774 e nele está gravada a cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, visto que esta igreja, tal como todas as outras igrejas do arquipélago açoriano, como nos explica o Padre João José Tavares, pertenciam à dita Ordem.

Ponto obrigatório de passagem é a subida ao miradouro do monte Santo onde se localiza uma pequena e singela ermida dedicada a Nossa Senhora do Monte Santo. Esta ermida foi edificada por Teófilo Tavares do Canto e Isolina Adelaide Soares pais da menina Maria Joana Tavares do Canto para assinalar o local onde terão ocorrido as aparições de Nossa Senhora à sua filha. A ermida ficou concluída em setembro de 1931, conforme inscrição numa lápide na parte posterior do edifício. Na subida para o Monte Santo existe uma Via Sacra que foi oferecida pelos emigrantes radicados em Toronto, no Canadá, em 2001. Na zona norte deste miradouro temos uma vista sobre a Vila de Água de Pau e da zona sul podemos observar a zona balnear conhecida por Galera e o ilhéu de Vila Franca.

Alguns metros largos mais à frente mais uma paragens obrigatória ou não estivéssemos a passar junto do Miradouro do Pisão. Este miradouro está situado na freguesia da Ribeira Chã que é a última freguesia do concelho da Lagoa. Do miradouro consegue-se ver a Caloura uma zona de porto de pesca e piscinas naturais, o antigo Convento da Caloura onde outrora o Senhor Santo Cristo dos Milagres tinha a sua casa e que atualmente é uma residência particular, e ainda a praia de Água de Alto e ilhéu de Vila Franca. Na descida do Pisão avista-se lá no alto da serra a freguesia da Ribeira chã com a sua igreja de construção recente é de invocação a São José. Esta igreja foi mandada construir sobre as suas antecessoras, uma vez que naquele local já haviam sido edificadas duas ermidas a primeira ermida ali construída era dedicada a Nossa Senhora da Ajuda e foi mandada erigir em 1725 por João Botelho Veloso e sua esposa Francisca e a segunda ermida que já era dedicada a São José foi erigida em 1853 a pedido do padre Luciano e do povo. Em 1956, a Ermida de São José encontrava-se bastante danificada pela ação dos sismos. E em 1958, o Padre João Caetano Flores assume a responsabilidade da edificação da nova igreja, obra que só se iniciou no ano de 1964 tendo sido inaugurada 3 anos mais tarde.

Às 11:55 horas e 11,26 km depois chegávamos ao fim do concelho da Lagoa e a partir daqui entramos no terceiro e último capítulo da peregrinação turística iniciando a caminhada no concelho de Vila Franca do Campo.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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