Lagoa do Congro e dos Nenúfares

Nestes últimos tempos, a peregrinação turística tem andado condicionada nas horas que pode caminhar, muito graças às restrições impostas pela covid-19, devido ao recolher obrigatório, por este motivo tem caminhado por locais mais próximos como forma de melhor aproveitar o tempo.

Neste fim-de-semana, em especial, para além das restrições ainda tínhamos o alerta amarelo devido aos ventos fortes provocados pela “Lola”. No entanto, nem as restrições, nem, muito menos, a “Lola” foram impeditivas para caminhar não chovia, havia que aproveitar. Assim, para enfrentar tantos condicionalismos a Peregrinação Turística escolheu a área protegida para a gestão de habitats ou espécies da Lagoa do Congro para ir caminhar. Esta área protegida localiza-se na zona central da Ilha de São Miguel, a noroeste de Vila Franca do Campo, mais precisamente no Planalto da Achada das Furnas. Sendo uma zona de vulcanismo fissural, onde se encontram os vulcões do Fogo e das Furnas, ocupando uma área de cerca de 38 hectares.

Parei o carro junto a um antigo posto de recolha de leite e daqui segui caminho para as Lagoas do Congro e dos Nenúfares. Estas situam-se na base duma cratera com cerca de 3800 anos de explosão tipo maar, com 500 metros de diâmetro de paredes escarpadas de basaltos e traquitos, sendo que do lado nordeste da cratera a parede atinge a sua altura máxima, 120 metros.

A Lagoa do Congro é a maior das duas lagoas, tem uma profundidade máxima de 16 metros e o seu nome está relacionado com o cognome de um dos primeiros proprietários, André Gonçalves Sampaio.  A Lagoa dos Nenúfares tem uma profundidade máxima de 3,5 metros e deve o seu nome ao facto de grande parte desta estar coberta por nenúfares da espécie Nymphaea alba.

De referir um pormenor que me parece ser interessante e que se calhar é desconhecido da grande maioria das pessoas, José do Canto adquiriu em tempo idos alguns terrenos contíguos a estas lagoas, tendo feito algumas intervenções levando a que a paisagem sofresse algumas alterações criando naquela zona uma mata ajardinada na qual introduziu algumas espécies exóticas tais como a criptoméria (Cryptomtia japonica), o eucalipto (Eucalyptus globulus), o til (Ocotea foetens) e a camélia (Camellia japonica). Estas alterações a quem for mais atento na sua caminhada ainda são visíveis pelo menos alguns resquícios.

Neste local e para quem gosta de bird watching também pode observar algumas aves residentes, como por exemplo, o milhafre (Buteo buteo rothschildi), a estrelinha (Regulus regulus), entre outras e em época de migração algumas aves migratórias, hoje tive a sorte de ver uma garça-real (Ardea cinerea). Habitam na lagoa carpas (Cyprinus carpio), percas (Perca fluviatilis) e o tritão-de-crista (Triturus cristatus) um anfíbio, espécie invasora ameaçada que está marcada como interesse para a conservação uma vez que figura na lista de espécies de fauna estritamente protegidas da Convenção de Berna.

O caminho para se chegar a estas lagoas é de terra batida e agora está menos selvagem, uma vez que foram feitos alguns degraus em certas zonas da descida e, também, colocaram algumas calhas para escoamento de águas.

Resta referir que esta área é um geossítio do Geoparque dos Açores, no Geoparque Mundial da Unesco e que é proibido nadar nas lagoas uma vez que estas são protegidas pelo Plano de Ordenamento de Bacia Hidrográfica. No entanto, apesar destas proibições, para quem aqui se desloca, principalmente no verão, é habitual encontrar pessoas a nadar.

Galeria das fotografias legendadas: Aqui


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