Madalena do Pico, 5 de junho de 2021.
Estava a estranhar Úrano (em grego Ouranós, deus primordial, na antiga mitologia grega, que personifica o céu) e a pensar que este tinha preferência pela filha caçula, visto que o Pico é a ilha mais nova do arquipélago dos Açores, com tantos dias seguidos de sol. No entanto, Úrano para me calar e mostrar que não tem preferidas mandou chuva para o meu último dia de estadia na ilha Pico, que felicidade já tinha saudades desta, eu a ser irónica, claro. Mas enganou-se ao pensar que esta seria impeditiva das minhas caminhadas, porque segui com o plano de férias à risca e embora lá ver estes mistérios do sul do Pico.
Os mistérios, vim a saber quando visitei a Gruta das Torres, são assim chamados porque os antigos não sabiam explicar a escoada lávica a sair do chão e assim sendo, diziam ser os mistérios da natureza. Penso que são 4 os mistérios, mas corrijam-me se estiver mal. Vejamos se não digo asneira, pelo que tomei nota na visita à Gruta das Torres, desde o povoamento ocorreram várias erupções históricas que criaram os vários mistérios e são elas as seguintes: de 1562/64, que cria o Mistério da Prainha, 1718 que cria os Mistérios de Santa Luzia e de S. João e de 1720, que cria o Mistério da Silveira. Falaram ainda numa outra erupção submarina que ocorreu em 1963, ao largo da ilha, a norte de Cachorro, mas penso que por ter sido submarina não é considerada um mistério.

Este trilho é linear e passa pela parte mais nova da ilha, ou seja, os mistérios de São João e da Silveira. Tem início no Parque Florestal de São João seguindo por um caminho junto à costa que alterna entre terra batida e asfalto, passando por várias zonas balneares e poços da maré. A destacar poço da maré da Baia do Arruda, zona balnear da Ponta da Admouro, poço da maré do Verdoso, zona balnear das Arinhas, zona balnear da Fonte, que dizem ser a melhor zona para se tomar banho na ilha, poço da maré do Rego e a canada Pau Rodrigues que é outra zona balnear.
No Mistério de São João conhecido como sendo a terra dos moinhos de vento pelo menos sete perduram na memória do povo, mas apenas dois existem na atualidade, os quais foram restaurados. O trilho passa por um destes moinhos, o da Ponta Rasa. Ainda neste local, passa-se pela Igreja de São João O trilho termina no Mistério da Silveira junto da capela do Império do Espírito Santo, a qual foi erguida em 1723 para pagar a promessa feita pelo povo para que a erupção de 1720 não atingisse aquele lugar. Nas proximidades a Igreja de São Bartolomeu que se encontrava aberta e pude ir espreitar apesar de singela merece visita e a capela do Império do Espírito Santo que fica nas imediações da igreja.

O trilho termina no Mistério da Silveira junto da capela do Império do Espírito Santo, a qual foi erguida em 1723 para pagar a promessa feita pelo povo para que a erupção de 1720 não atingisse aquele lugar. Nas proximidades a Igreja de São Bartolomeu (se tiverem sorte de a encontrar aberta podem visitar, eu não tive sorte, mas considero que seja uma razão para voltar porque gosto muito de contemplar arte sacra).
De referir e só para que Úrano não fique como malvado que com o passar das horas o tempo mudou e o sol acabou por dar um ar da sua graça, ou não estivéssemos nós nos Açores e não fosse comum fazer as 4 estações num só dia. No caminho de volta ao ponto inicial e como me é de meu agrado fiz o trilho de forma circular, comi uma fatia de bolo de chocolate, a melhor que já provei até à presente data, soube pela vida e deu aquele pico de energia que estava a precisar para acabar a caminhada e num ápice era hora de partir para a ilha do Dragão (São Jorge).

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