O calendário marcava a data de 18 de abril de 2026, dia que ia dar início à minha época de Trail Run. Este ano decidi iniciar a minha época num evento desportivo, familiar e cultural que nasceu do coração da ilha Terceira, o Lava Run Azores. Marquei presença no desafio do Trilho dos Currais, a caminhada que contava com um percurso de 7 km. Quem não esteve muito amigo foi o tempo que acordou sisudo. No entanto, não havia mau humor que me tirasse a vontade de começar a minha época de Trail Run pelo que saí de casa mais a Menina da Ilha Rainha e lá fomos nós até à Mata da Esperança para irmos participar na primeira edição do Lava Run Azores, prova que vim a saber havia sido organizada por um adolescente, se não estou equivocada, de 17 anos e que apesar de não ter tido o apoio da Associação de Atletismo da Ilha Terceira não ficou atrás em nada das provas organizadas por esta associação, bem pelo contrário, este adolescente, na minha opinião, tem potencial, é muito organizado e idealizou três percursos para as várias distâncias oferecidas (27km, 15km e 7km) sozinho e tratou de arranjar licenças, pedir autorização para se passar por terrenos privados e patrocínios para tudo o que era necessário e ainda organizou um kit que incluiu uma t-shirt e um gel energético. Deixo desde já uma palavra de apreço ao organizador, porque nos dias que correm não é normal ver jovens a terem tanta responsabilidade. O que deve ser motivo de orgulho para os seus pais.

Deixando a organização que já todos perceberam que tinham sido muito boa e passando ao que me levou à Mata da Esperança, ou seja, à prova que começou um ligeiro aquecimento após o qual deu-se o sinal de partida e eu partia contrariando o tempo, já que ia feliz e contente na companhia da Menina da Ilha Rainha que havia decidido também participar. Na minha cabeça ia imaginado o caminho, uma vez que havia visto o ficheiro disponibilizado pela organização e pensava que estas provas têm coisas boas, uma delas é ter a oportunidade para ver mais caminhos que não conheço e digo-vos que não fiquei desiludida com o trajeto. Começamos contornando a pequena praça de touros, entramos no caminho de bagacina, no qual minutos antes havia passado de carro toda entusiasmada, antes de chegarmos a uma via de asfalto viramos à esquerda para continuar o percurso num trilho de terra batida, uns metros mais à frente comecei a ver uma casinha pequena a precisar de cuidados, mas bem bonita e pergunto à Menina da Ilha Rainha se sabia qual era a razão da existência daquela moradia num sítio assim isolado ao que me respondeu que não sabia, fico sem saber a verdadeira razão da sua existência, mas talvez fosse uma antiga casa de apoio, mais à frente o trajeto passou mesmo ao lado desta edificação, uma vez que o percurso entrou para um caminho que ziguezagueava por entre pastos, aqui o caminho ganhou alguma inclinação, mas nada de muito difícil. No cimo vemos a marcação para virar à direita e é neste ponto que as provas vão começar a cruzar entre si. Aqui a vista para a Caldeira de Guilherme Moniz é simplesmente de cortar a respiração, as nuvens baixas e o nevoeiro tornam o local ainda mais encantado, de referir que esta caldeira, que se localiza na parte central da ilha Terceira, é uma Área Protegida de Gestão de Recursos que abrange 1218 hectares e possui uma altitude máxima de cerca de 660 metros. A Caldeira de Guilherme Moniz está implantada no topo do vulcão central com o mesmo nome e que corresponde a uma caldeira de colapso alongada na direção noroeste-sudeste, com diâmetro máximo e mínimo de 4 quilómetros e 2,5 quilómetros, respetivamente.

Deixo a caldeira para trás, uma vez que a vassoura (pessoa pertencente à organização que encerra o percurso e que se certifica que nenhum dos participantes fica para trás) já estava à minha espera há longos minutos. Seguindo as marcações, viro à direita, passo por uma sebe e aqui a caminhada entra num trilho que é o meu preferido, sabem qual é? Quem pensou na Passagem das Bestas, adivinhou, mais atrás na subida a Menina da Ilha Rainha já me tinha referido que parecia que estávamos a fazer um caminho paralelo a este trilho e não estava enganada. Entramos na zona cimeira de trilho onde o caminho é ladeado por criptomérias e viramos à esquerda para o lado dos miradouros, ou seja, para mim a parte mais bonita. Obviamente, que fiz um desvio para ir ver todos os miradouros, neste dia os pastos estavam cheios de poços e quem não faltava eram os touros bravos, animais maravilhosos, que enchem a vista! Foi neste ponto que o pessoal que corria as outras distâncias começou a cruzar-se com a caminhada, vinham no sentido inverso a nós e estavam muito “limpinhos”, houve um corredor que ao ver-nos tão limpinhas fez a gracinha de pular dentro de uma poça para nos sujar e para quem gosta de caminhar na natureza sabe apreciar a “gracinha”, porque andar na natureza e chegar limpo a casa não é aproveitar a natureza a 100%. Após o miradouro do Juncalinho, o percurso começou a sua zona descendente, já dizia o antigo que após uma subida há sempre uma descida. Eu aproveitava para ir tirando o juízo à Menina da Ilha Rainha e pelo caminho tirava fotos e apoquentava a vassoura com as minhas paragens. Então na mata encantada dos cedros e nas lindíssimas relheiras a paragem foi bem prolongada.
A zona do trilho acabou, entramos na estrada de asfalto que nos levou de volta à Mata da Esperança, onde à nossa espera estava um almoço bem requintado para repor algumas das calorias gastas.
O evento Lava Run Azores foi além da meta e teve diversas atividades a complementar o desafio de trail run que foram desde animação, passando por workshops, yoga familiar, atividades para crianças e momentos culturais, assim promoveu um ambiente inclusivo e dinâmico para todas as idades.

É preciso dar destaque e importância à realização de eventos desta natureza, uma vez que incentivam a prática regular de atividade física e a adoção de estilos de vida saudáveis, já que unem o desporto ao contacto com a natureza e à valorização do território! Um bem-haja e boas caminhadas!
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